Terça-feira, 5 de Junho de 2012

Regra

Há apenas um requisito para se curar de um distúrbio alimentar. Ou de outra coisa qualquer, arrisco eu dizer.

Querer. Querer muito. Querer com todas as forças que por vezes até achamos que não temos. Bater o pé. Dizer que não ao caminho fácil. E seguir. Cair, levantar-se. Cair, levantar-se. Até ao momento em que ficamos de pé por tanto tempo que ganhamos certezas de uma vitória.

Esta é sim a única regra que devemos ter em mente.


publicado por o_meu_outro_eu às 15:02
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Domingo, 3 de Junho de 2012

Conselho

Ninguém precisa de saber. Pode, se assim quizermos, ser uma coisa só nossa. Um outro lado. Um outro eu.

Há uns dias, o tema surgiu. Apenas eu, uma amiga e uma conversa de tarde inteira. Havia alguém que parecia ter um problema qualquer. Era meia doida a moça. Talvez fosse anorética ou bulímica.

Aguentei.

Respirei fundo e aguentei.

Ainda agora, a recordar, não sei como consegui não dizer nada. Não explicar (gritar!) que anorexia e bulimia não é mania. Não é loucura. É UMA DOENÇA.

Aguentei para me proteger. Muito poucos são os que sabem do que se passou verdadeiramente comigo. Sempre achei que o melhor caminho era guardar para mim e, hoje, sei que foi a melhor opção.

Duas amigas sabem. Deram-me a mão no momento certo. Precisei de gritar por alguém. Foram as escolhidas.

O namorado dos 17 anos sabe qualquer coisa. Não interessa.

Os pais sabem. Claro. 

A família mais próxima sabe que tive um problema. Mais nada.

E ficamos por aqui.

E, muito provavelmente, vamos ficar sempre por aqui.  


publicado por o_meu_outro_eu às 22:37
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Sábado, 4 de Junho de 2011

Curar a Bulimia

"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."

Acreditar que depois de tantas quedas, a verdadeira luz chega! E se algum dia voltar a cair, certamente me voltarei a levantar. 

 

 

"Chorar é diminuir a profundidade da dor." William Shakespeare

Chorar liberta. Chorar acalma. Chorar lava a alma. Chorar é dizer que está a doer. Limpar as lágrimas é sentir que já passou.

Força!

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Sábado, 21 de Maio de 2011

Curar a Bulimia

Eu mereço ser feliz. Eu tenho uma mãe e um pai que me adoram. Eu tenho um irmão que me deixa orgulhosa. Eu tenho um homem ao meu lado com uma personalidade fantástica. Tenho carinho e amor todos os dias. Tenho paz e saúde.

Não preciso de mais nada.

As coisas mais simples são as que nos enchem de força. O amor é a cura para todos os males.

sinto-me: bem
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publicado por o_meu_outro_eu às 23:07
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Prazeres

Chá verde com aroma a limão, mel e ginseng. Torradas com queijo fresco para barrar. Morangos acabados de lavar.

 Porque a felicidade está, acreditem, nas coisas pequenas.

 

 

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publicado por o_meu_outro_eu às 09:22
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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

Um viva às sopas!

Viva!

Todas as avós e mães sabem. A sopa é saborosa, reconforta, alimenta e é económica! E é tão fácil de fazer: Batata, abóbora, cebola, courgette, cenoura, espinafres, alho francês, couve, feijão, grão, outros tantos legumes e amor, muito amor.

Enquanto bulímica, e acredito não ser a única, abandonei a batata e o azeite. A sopa ficou sem sabor. E a verdade é que, por vezes, preferia meia lata de atum com meio pão integral para o almoço do que um bom prato de sopa e uma fruta. O atum natural com pão não é saboroso e tem mais calorias do que um prato de uma boa sopa e uma fruta fresca! A maior diferença reside no tempo em que nos sentimos saciadas. E é lógico que a sopa e a fruta nos deixam sem fome durante mais tempo.

É incrível como fiquei tão cega com a Bulimia. E acho que devo referir que o meu peso está estabilizado há um ano. 

 

Agora vou ali fazer uma sopa de abóbora com coentros que hoje tenho uma pessoa especial para alimentar! {#emotions_dlg.blueflower}

 

 

                                                                                                                                                 

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publicado por o_meu_outro_eu às 10:13
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

A cozinha

Preciso de ser eu a cozinhar para mim. Preciso de ser a controlar as quantidades mínimas de azeite, os temperos, as gorduras da carne, a manteiga e o açúcar nos raros bolos.

Desde pequena que me lembro de gostar da cozinha. Lembro-me de, com 14 anos, quando recebi o meu primeiro computador, passar as minhas receitas preferidas dos livros da minha mãe e fazer um caderno com uma capa bonita que lhe ofereci numa qualquer data festiva que não me recordo. Lembro-me de fazer o meu primeiro salame de chocolate, a minha primeira tarte de maça. Lembro-me das favas que descascava nas férias, do feijão verde e seco, das abóboras que ajudava a minha mãe a pôr em sacos para congelar, de desligar o forno à hora marcada, de adorar as taças de barro branco. Sim, porque eu fui uma criança normal. Uma menina que adorava o avental da cozinha e que fazia imensos bolos de areia e terra.

Mas algures na minha vida este gosto pelos cheiros e sabores quebrou-se. A sopa perdeu a batata e ficou sem sabor. Os refogados desapareceram. O meu paladar aprendeu a gostar de alface e tomate sem tempero, de chá sem açucar (aqui, ficou um bom hábito!:) ), de litradas de chá verde e outras tantas coisas. Deixei o salmão que tanto adoro. A tarte de maça que é a minha preferida. As caldeiradas e as sopas cremosas.

 

Agora, com vinte e um anos, voltei à cozinha e aos sabores. Aos poucos e com tantas armas quantas consegui arranjar. Cozinhar é amor para comigo e para com os outros. Alimentar-me é gostar do meu corpo.

Gosto de coisas que antes não gostava, coisas saudáveis sim mas com tanto sabor.

Gosto de sopa com coentros. Gosto de bifes grelhados com imenso limão. Gosto de saladas com queijo fresco, rebentos de soja, atum, salmão grelhado desfiado, massas coloridas, cenoura ralada, courgette salteada, molho de iogurte, molho de azeite, alho e salsa, e amor. 

Gosto de tomatinhos recheados.

Gosto de compota com requeijão.

Gosto de sopa com batata. (porque duas batatas numa panela enorme de sopa, não me vão engordar!)

Gosto de iogurte com fruta acabada de cortar.

E voltei a gostar de barro branco, de caixas de bolachas coloridas, de frascos de compotas com tecidos bonitos e tantas outras coisas que tanta outra mulher gosta e que eu, durante toda a minha adolescência, deixei de lado. Apenas deixei de lado. Tudo se recupera.

 

Aprendi tanto, Bulimia.   

Com o devido respeito que te tenho, obrigado. Fizeste-me crescer e dar valor a coisas pequenas.

sinto-me: bem

publicado por o_meu_outro_eu às 12:40
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:)

"Enquanto tivermos algo a fazer, alguém para amar e alguma coisa para esperar seremos felizes..."

 

Tenho muitas coisas a fazer. Amo a minha mãe. Amo o meu pai. Amo o meu irmão. Espero pelo fim de semana para estar com o R. Espero pelo fim do meu curso. Espero pelo empadão de atum e espinafres que está o forno. 

 

Então, sou feliz.  

 


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Sexta-feira, 25 de Março de 2011

...

Afinal sou uma sonhadora como as outras.


publicado por o_meu_outro_eu às 21:51
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Sábado, 12 de Março de 2011

Aprender a amar

Amar é difícil. Confiar também.

Há cerca de um ano atrás, quando ainda passava por este blog para deixar uns raios de energia positiva, estava apaixonada! Estava loucamente apaixonada! O R. era realmente tudo e a minha vida girava em torno dele.

Era com o R. que adormecia todas as noites. Era com o R. que me alimentava. Era por ele que preparava pequenos almoços maravilhosos e os servia nos lençois. Era por ele que dançava e me despia sem preconceitos. Sentia-me mulher. Sentia-me completa.

O R. fraquejou. Teve dúvidas. Saíu. E eu fiquei. Ele errou.

 

O tempo e o amor deviam curar.

O tempo é suficiente e o amor insuficientemente estável.

Onde é que se aprende a amar? Eu aprendi a escrever como todos os outros meninos. Mas onde aprenderam os meus pais o amor que sentem entre si? Onde é que se aprende a confiar? A respeitar que errar é humano e que perdoar é permitido. Perdoar é bonito, diria eu. Porque tenho um orgulho do tamanho do mundo que me impede?

 

 

Enfim.

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publicado por o_meu_outro_eu às 20:13
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

Apenas para desabafar...

Hora do primeiro lanche: Engoli o pão integral com requeijão e acalmei com o chá de cidreira.

Sabe bem! (...) Mas quero mais... Preparei outro pãozinho com requeijão e comi. Não senti o sabor. Deixei de pensar que estava a comer. A minha vida não está como quero. Sei que quero voltar a estudar. Não sei o quê. Sei que quero amar-te. Não sei ser dona de casa perfeita. Sei que quero cuidar de mim. Não o ando a fazer. Porquê?

(Entretanto sirvo-me de frango do jantar e mastigo.)

Porque é que não tenho as unhas cuidadas? Porque é que a minha pele está a gritar por uma esfoliação e eu não consigo ouvir à primeira? Porque é que ainda não fui fazer as análises de sangue? Porque é que não me apetece fazer sexo? Esta semana não está a correr bem. Preciso de me acalmar. 

(Bolachas Maria. Mais do que as três do habitual.)

Não vou ao ginásio porque tenho roupa para cuidar. Não quero fazer nada. Apetece-me ir dormir.

(1maça)

Sou feliz? Quero esta felicidade?  

(vomitar.)

Agora estou aqui, de estômago vazio, alma pesada e copo de água morna ao lado.

Ainda sei e consigo vomitar na perfeição. Completo.

Tenho medo da Bulimia. Muito medo. Sei o poder que a doença pode ter sobre mim. Mas também sei que sou forte e que a consigo adormecer novamente. 

Um vómito pode ser considerado uma recaída? Não me sinto doente. Sinto-me capaz de amanhã acordar e voltar à minha rotina.

É nestes momentos que precisava de uma psicóloga a quem telefonar. Mas a minha escolha foi esta... Por isso vou-me segurar, esperar que a hora de dormir chegue e amanhã é outro dia.   

Preciso de me sentir saudável e viva novamente. Esta a ser uma semana má, só isso.

Só isso.  

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Terça-feira, 20 de Julho de 2010

A vida é una

 Para todas as pessoas que lutam para aproveitar a única chance de viver.

música: Royalistick - Chance

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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

Verdades

É verdade que fiz croissants para o pequeno-almoço.

Mas também é verdade que só voltei a comer ao jantar.

 

Eu sei como se faz. Tenho as armas e a força. Mas, por vezes...


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Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Waka Waka

Sou a única que delira com esta música?

 

sinto-me: animada
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Terça-feira, 15 de Junho de 2010

Na minha cozinha...

Um lanche apetitoso e saudável.

Crepes! :) Adoro-os e são uma óptima opção para um lanche diferente.

Gosto de ser eu própria a fazê-los e para os recheios opto por compotas de frutas ou fruta fresca picada.

Hoje experimentei com mel. Delicioso!

A massa é simples e rápida: farinha, leite magro, um ovo e uma pitadinha de sal.

Frigideira ao lume e voilá!

Acompanhei com um chá maravilhoso que encontrei no Continente. "Chá de rooibos com pétalas de rosa"


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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

Prazeres

Para ti. Deslumbra-te.

sinto-me: sensual

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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

Sol, por favor!

Férias com o meu Amor.

Já sinto o aroma do pãozinho acabado de comprar para o pequeno almoço. E das sardinhas assadas com salada de tomate à hora de mais calor.

Já sinto os vestidos leves e as sandálias novas. E a maquilhagem da cor dos pêssegos.  

Já sinto os gelados de morango e de limão entre beijos pegajosos.

Quero!

Quero aquela praia imensa, correr à beira-mar e assustar as gaivotas.

Quero fazer panados de areia e desenhos com o protector.

Quero beber o sol e uma bebida gelada. Fazer amor ao ar livre com a adrenalina de ser apanhada.

Quero vestir os calções curtos e os saltos altos. Seduzir o meu homem vezes sem conta.

Cansar-me. Divertir-me.

 

Sei que o medo do bikini está apenas adormecido. E sei que, provavelmente, vou acabar o dia a querer tomar banho sozinha para chorar. Mas tenho esse direito. E depois de desligar o chuveiro está tudo bem.

 

Da minha parte está tudo. O resto é com S. Pedro...


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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

Prazeres

Grandes e acabadinhas de lavar.


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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

"Correu mal"

Finalmente entro em casa.

Tiro a roupa e deito-me na cama. As lágrimas deslizam pela minha face. Todo o corpo me dói. 

Quem me dera um colo para chorar, um "tem calma" para sentir, uma segurança para ter. Quero a minha mãe. Quero a minha almofada com cheiro a sabão natural. Sou uma menina pequena que se assustou com a vida dos grandes. 

Magoa aceitar que não consegui. Magoa tanto saber que há pessoas melhores que vão ocupar o meu lugar.

Sei que, por vezes, é necessário recuar um passo para de seguida avançar dois. Sei que tenho um longo caminho pela frente. E também sei, que com apenas vinte anos, sou já uma boa profissional. Sei que quero crescer com saber e experiência. Sei que quero e vou ser uma grande mulher.

 Mas, agora, só sei que preciso de chorar... Com ou sem motivo, preciso.

 

"Com a sua personalidade, apresentação e o seu trabalho

tenho a certeza que vai correr muito bem em outros projectos."  

música: Ana Moura, "O Que Foi Que Aconteceu"

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Apetece-me.

Pintar os lábios de vermelho e usar um vestido leve.

Soltar o cabelo no vento da noite.

Subir naqueles saltos altos.

Não levar casaco e usar o teu.

Dar-te a mão e um meio beijo.

Comer camarão com fruta.

 

Trocar olhares fortes.

Beber um bom vinho verde.

Conduzir em silêncio pelo caminho mais longe.

Entrar em casa.

Tirar o vestido.

Deixar o baton.

Beber um whisky.

Tirar a tua camisa.

Ter uma noite de sexo.

Demoras? Amo-te R.

sinto-me:

publicado por o_meu_outro_eu às 19:09
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Conclusões #3

Hoje, no ginásio, subi a balança.

A nossa relação resumia-se ao check in no dia de inscrição. Nunca mais tivemos qualquer tipo de contacto. Não tinha interesse nisso. Vou ao ginásio porque me sabe bem fazer sauna, porque adoro as aulas de grupo e porque jacuzzi quando o R. me acompanha é perfeito. (decente) E porque o médico de família avisa que o colesterol é mau amigo. (É muito frequente em pessoas que sofrem ou sofreram de Bulimia terem níveis de colesterol LDL elevados.)

Ela lá estava. No canto da sala de cardio. E eu fui ter com ela.

Subi.

 

47Kgs! (sem sapatilhas)

 

Estás parva? Eu ontem jantei no McDonald's.

(subi de novo)

 

47Kgs! 

Emagreci? Cheguei a casa e vesti umas calças que no Inverno passado não serviam. Ficaram largas.

Conclusão? Eu engordei para me tratar. Sim, engordei. Engordei porque o meu organismo não estava habituado a ingerir uma quantidade normal de alimentos. Mas neste momento, curada ou não, o meu organismo estabilizou. O meu corpo tem formas de mulher e os meus olhos brilham quando o almoço tem bom aspecto.

Obrigado meu Deus. Obrigado por estares aqui.  

sinto-me: carente

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Sábado, 24 de Abril de 2010

Aproveitar a vida!

Vestido de folhos e dançar.

Os pés nus tocam o chão fresquinho da noite.

O meu corpo vibra. O reflexo no chão da cozinha nunca foi tão belo! 

A Sara Tavares canta só para mim.

 

                                                                    

 

(Tenho um bom feeling para este blog.)

 

sinto-me:
música: Sara Tavares

publicado por o_meu_outro_eu às 20:46
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Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

A luz

Estou serena.

O dia está lindo, as roupas são fresquinhas e o chá de frutos vermelhos convida-me a uma pausa.

É com muita humildade e respeito que estou a escrever hoje. Sentimentos que nutro por mim própria e por todas as pessoas que me deram a mão. Pessoas que viveram comigo aqui, nesta casa.

Sinto-me saudável e viva. Não me sinto completamente curada.

Decidi partilhar com quem utiliza este blog para se sentir normal, as armas que utilizo para fazer adormecer a Bulimia.

 

- Não sei as calorias de nenhum alimento.

- Vou às compras com uma lista.

- Aprendi a cozinhar e experimento coisas novas. Sinto sabores únicos e aprendi a ter apetite.

- Faço jantares em minha casa. (minha)

- Os meus duches passaram a demorar muito mais tempo e, sempre que possível, acompanhada.

- Gasto mais dinheiro em roupa que me faça sentir mulher.

- Acordo mais cedo.

- Passo mais tempo sozinha. Cremes, esfoliantes, esplanadas, revistas,..

- Faço aulas de grupo no ginásio.

- Leio mais jornais em vez de revistas de corpos impossíveis.

- Apanho muito sol.

- Alguém se lembra de algo bom para fazer ao fim de tarde? Uma caminhada? Um suminho à beira mar?

 

Aceitam-se ideias. 


Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

medo, muito medo

Este silêncio assusta-me.

 

A campainha não toca. O telemóvel não recebe a chamada. A música deixa-me irrequieta.

 

Tomar banho. Vestir a camisola larga e sentir-me protegida. Falta uma hora para o almoço.

Respiro. Porque não me ligas mais cedo? Vem tomar conta de mim que hoje não o sei fazer.

Dorme comigo e fica nos lencois toda a manhã.

 

Tomar banho. Água limpa. Água.

 

 

Apetece-me gritar.

 

sinto-me: tensa

publicado por o_meu_outro_eu às 12:30
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Foi a última vez!

Percebeste? Já não me crias necessidade. A vontade de te vencer é tão grande como esta de te enfrentar. Adeus.

 


Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

P. de Sentir

Não te consigo chamar de Amor! Agora não. Prova-me que mereces!

Desilusão. Não te vou deixar. Não. As lágrimas... A verdade é que as lágrimas caíram apenas para te magoar. Odeio-te pelas palavras da tua boca. O teu coração nem sequer as tem. Sei que não. Os teus olhos tremem sem mentira. És fraco quando amas! És rude quando tens medo de perder. 

Prova-me que mereces.

A verdade é que as lágrimas caíram porque me magoei. Sou fraca também. Gosto de ti.

Não me toques! Prova-me que mereces.

 

 

Janeiro de 2010 - Sinto pena de ti.


Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Desafio

O desafio foi lançada pela Cris. Ainda não tinha conseguido fazer, mas não ficou esquecido.

 

Carinho

 Amizade, Sentimentos calmos e preenchidos.

Natureza

Vida. Cantar dos pássaros, o cheiro da relva.

 

Extremos, Dupla personalidade

Chorar e rir. Mudanças de humor repentinas.

 

Sonhos, objectivos

Querer. Atingir.

 

Independência

Eu. Confiança. Sozinha. Ninguém me invade totalmente.

 

Emoções fortes

Dar e receber. Mutuamente. Instante.

 

Crianças

 A magia da inocência.

 

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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

O Bolo, a Lágrima

Ontem comi uma fatia de bolo assim. Cheia de creme, acuçar, gordura, calorias, gramas na balança, obsecção na minha cabeça. Uma fatia.

Não queria comer. Não podia dizer que não. Era uma data demasiado importante para deixar a miúda enjoadinha falar mais alto. Revolta-me estas festas, fico sempre nervosa e inquieta. O importante devia ser estar com as pessoas que gostamos, não a mesa repleta de comida. Devia ficar bonito, apenas a menina estar presente. Mas não. Fica bonito a menina que prova as sobremesas todas e diz com ar de satisfeito que "dias não são dias." Passei o resto da tarde a pensar naquela fatia e no prato vazio. No meu estomâgo que aumentava minuto a minuto. Doces a partir das 6h da tarde. Eu não posso. Eu vou engordar. Pensei chegar a casa e vomitar.

Cheguei.

Não vomitei. Comi uma maça, um chá de camomila, deitei-me e dormi.

Não sinto orgulho nenhum! Tenho nojo de mim e daquele bolo. Eu não vomitei! O meu corpo absorveu tudo! Ficou cá. Preciso de compensar. Preciso de não comer hoje. 

Sei que não posso fazer. Vou comer menos, então. Almoço uma peça de fruta. Bebo bastante água. Não é suficiente!

Isto faz doer. Estou cansada de pensar. Não o devia ter feito...


Sábado, 7 de Junho de 2008

?

Na minha cabeça, isto ainda funciona assim:

 

CURA = CONTROLO = RESTRIÇÃO

 

sinto-me: confusa

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Posso não te merecer, mas tu também não me mereces!

mãe, a partir de agora e até Eu entender, vais ser tratada neste blog, e na minha vida, como "a mulher do meu Pai". Nem sabes o que dói dizer isto. Nem sabes o quanto gostava que houvesse estabilidade, confiança e paz entre nós. Mas se alguma vez houve princípios de uma boa relação de mãe e filha, tu acabaste com eles ontem. Acabaste com tudo o que queria para o nosso amanhã e, agora, tu já não és minha Mãe. Para mim, tu não passas da mulher que me deu à luz, que me criou e me bateu para eu comer quando era pequena, que me castigava sempre pela comida que eu deitava fora (porque ficava sozinha em casa, brincava e me esquecia de comer!). Não és mais do que a mulher que me diz que não valho nada, que vivo numa casa que não é minha, uso um carro que não é meu e que me alimento de comida que também não é minha. O dinheiro que me deram em pequena no Natal e no aniversário não é meu. É teu, como tu disseste! Humilhaste-me! Arrastaste-me pelos cabelos e bateste com a minha cabeça na sanita. Deste pontapés, chamas-te todas as porcarias que te apeteceu e eu odeio-te por isso! Odeio, sim. Ódio que me consome e não me deixa sequer olhar-te nos olhos. Tu não sabes o quanto me magoaste. Tu não sabes e nem imaginas o quanto está a ser díficil para mim largar esta merda de doença! Não sabes as vezes que vomitei fora de casa, em casas de banho públicas e nojentas, para que tu não descobrisses. Não sabes o quanto choro à noite ao ver-te a rezar por mim e saber que não consigo fazer nada. Não sabes o valor que tenho porque nunca o quisseste ver. Porque todas as outras filhas são melhores, lutam mais, conseguem mais. A tua não passa de uma inútil a cheirar a suco gástrico e que devia morrer, como tu disseste ontem! 

Eu não quero morrer! Eu quero acabar com tudo isto. E estou a conseguir, uns dias melhores, outros piores, muitas recaídas, mas estou a levantar-me. Devias deixar-me continuar... Só te pedi isso. Sem me lembrar que já ando há um ano a comer e a vomitar o que tu ganhas. Não, minha senhora. Infelizmente ando há quatro anos e arrependo-me de te ter pedido para me levares à médica. Fazia-o de forma muito diferente neste momento. 

Todas as palavras que eu ouvi da tua boca, ficaram cravadas na minha mente. Hoje, enquanto comia, conseguia ainda ouvi-las. E sabes o que elas me trazem? Raiva, ódio e vontade de te dizer que és tu, também, culpada de não conseguir recuperar mais depressa. A culpada sou eu, já sei. Mas só te pedi para te calares, enquanto me levantava. Depois de estar mais firme podias gritar novamente. Eu já estava forte outra vez. Mas nem isso tu conseguiste. Prometeste que ias dizer a todas as pessoas que me conheciam que eu provocava o vómito. Apenas chorei, desesperada, à tua frente. Não sei o que vai ser de mim se o fizeres. Por favor, não sejas capaz.

Obrigado por me teres deitado no mundo. Já não me arrependo de ter olhado o Sol pela primeira vez. E vou ser capaz de senti-lo muitas mais vezes. Cada vez mais forte. Firme e de cabeça erguida, mesmo ouvindo que sou uma nojenta, uma porca e que não sirvo para nada. Juro-te que um dia te vais sentir arrependida. E nesse dia, vou-te dizer, com a maior frieza, que se fosse por ti eu estava morta e enterrada. Mas não é por ti... e a partir de hoje, sou eu, com o meu apoio, com a minha médica (obrigado por pagares!) a lutar por mim.  

 

Vou lavar a cara e vou a uma entrevista de emprego. Desejem-me sorte, mesmo depois de terem ficado desiludidos com a menina mulher que os leitores deste blog pensavam ter princípios.


Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Conclusões de consultório

Não tenho capacidade de organizar frases. Não consigo pensar com clareza, não consigo concluir.

 

Contar calorias deixa-me ansiosa. Confirmar o diário alimentar desgasta a minha mente. Exigo o máximo de mim mas nem sequer cumpro as exigências. Não quero ser uma descontrolada.

Quanto maior o controlo, maior o descontrolo.

Assusta-me as responsabilidades. Sensação de que tudo aquilo a que me proponho fica pela metade, que podia dar muito mais de mim e não dou. Não podes confiar em mim! Nunca se sabe quando me agarro à comida e te largo. Largo tudo quando me empanturro. Esqueço o mundo, esqueço a agenda, esqueço que existe vida. 

Não me apetece fazer nada. Não quero ter nada!            

"Tem 20anos! Com 20 anos já andava a fazer a minha casa!" Frase que ouvi na sala de espera. Podia ser dita pela minha própria mãe. 

Não aponto mais calorias. Não faço contas. Não confio em mim. Vou obrigar-me! Tenho um plano... nunca tive nenhum. Sim, come lá os hidratos de carbono à noite e tu ves o que o plano te faz! Cala-te. Não me compreendo nem quero compreender. Apaga a luz que quero seguir às escuras.

"Encara como um desafio. Se correr mal, voltas para trás. O que fazes agora tu não desaprendes."

Aceito. Não estou confiante mas também não tenho medo de não conseguir. O que for, é.


publicado por o_meu_outro_eu às 21:24
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

É disto que sinto falta...


publicado por o_meu_outro_eu às 16:25
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Tenho tudo e não sei aproveitar.

A psicóloga telefonou. Neste preciso momento. Altura em que as lágrimas se embrulhavam com o meu olhar, a minha cabeça bombava e tentava ler posts antigos para procurar uma melhora. Não encontrei. Conversa rápida ao telefone.

 

- Faltou a última consulta. Continua interessada? Vamos marcar outra?

 

- Sim.  

 

Sexta-feira volto lá. Já que não consigo fazer nada sozinha!


Senhor, escutai-me

Senhor, aumentai a minha Fé. Faz abrir os meus olhos no caminho da luz e dá-me a mão sempre que ficar cansada. Não me abandones. Suplico-te que me venhas amparar como Pai que abre sempre os braços ao filho que regressa a casa. Entrego-me a Ti, Senhor. Perdoa-me e estende a tua mão para mim. Ajuda-me a sentir a tua presença e não me deixes cair quando procuro um sentido na minha vida. Deixa-me ficar a teu lado. O meu coração está aberto para Ti, Senhor. Entra na minha alma e faz-me sentir limpa, completa, preenchida do Teu amor. Ajuda-me a mostrar que sou digna do dom da vida e arranca este sofrimento do meu coração. Encaminha o ar que eu respiro e dá-me forças para continuar aqui. Contigo, Senhor. Contigo, eu posso ser capaz.

Só Contigo.


publicado por o_meu_outro_eu às 14:25
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Deixa o mundo girar... Gira com ele!

Está tudo a voltar. Ontem vomitei. Hoje também.  

A música e a imagem ficam a falar por mim. Eu vou lavar a cara e regressar ao meu mundo de farsas e teorias inacabadas.

 

música: Pólo Norte - Deixa o mundo girar
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publicado por o_meu_outro_eu às 13:47
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Terça-feira, 20 de Maio de 2008

E há outros dias...

Em que é fácil esquecer que pertencemos ao mundo!

 

Apagar a luz. Dormir. Esquecer. Fugir. Chega de culpar a doença por tudo! Foi culpada, agora não. Reage por ti! Tens tanto que podes usar para fugir, porque te queres voltar a entregar? Não me vou chamar de fraca, chamo-me de humana.


publicado por o_meu_outro_eu às 18:19
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Silêncio que não me irrequieta

Não tenho certezas. Não tenho perguntas nem respostas. Não sei bem se é este o caminho. Não sei sequer se existe caminho. Posso encontrar a saída, posso retomar a entrada. Mas é assim que quero continuar...Arriscar. Estou bem. Acho.

Brinco com o meu interior. Apanho todas as peças jogadas no chão e vou tentando encaixar, percebendo a forma que quero que elas tomem. Gosto da brincadeira. Conheço o que antes pensava não ter, respeito todas as partes deste puzzle. É valioso de mais para continuar perdido na caixa dos brinquedos. 


publicado por o_meu_outro_eu às 13:30
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Pintado de cor de rosa

Há momentos em que parece que o mundo nos pertence! Hoje foi um dia cheio de momentos assim. 

Sem exageros.

 

Vesti uma roupa primaveril.

Subi nos saltos altos.

Beijei o irmão mais novo.

Corri pelas escadas.

Sorri para o motorista do autocarro.

Ouvi uma música que me seduz.

Dançei interiormente.

Recebi bons dias alegres.

Deixei boas tardes preenchidos.

Estive com duas amigas que adoro.

Tive conversas animadas.

Ri muito.

Sorri ainda mais. 

Senti-me apaixonada.

Troquei olhares engraçados. 

Desci dos saltos. Descanço. Tranquila.


publicado por o_meu_outro_eu às 21:21
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Tenho dias assim...

 

E não sou loura.


Sábado, 10 de Maio de 2008

Para ti, Mulher

O poema é como o corpo de uma mulher

Há-de ser suave,

leve,

belo.

Há-de possuir pontos sensíveis,

em que um simples toque o faça vibrar.

Há-de ser forte 

e delicado,

Flexível, mas inquebrável.

Para alguns é impenetrável.

Para alguém especial,

é aberto,

transparente,

claro.

Aníbal Alburquerque

Dedicado a todas as Mulheres que passam neste blog 

Chega uma altura na nossa vida em que sentimos necessidade de mudar algo... Essa minha necessidade surge agora. Veio de mão dada com a vida adulta e as responsabilidades. Cresci e nem notei. Agora, tenho de correr para me alcançar.


São escolhas...

.... Difíceis!

O que é que se faz quando se tem o livro de Matemática A aberto sobre o teclado e se descobre este blog http://cenasdegaja.blogs.sapo.pt/?

Pois... Fecha-se o livro. Só por uns instantinhos...


publicado por o_meu_outro_eu às 16:08
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Não esquecer...

 

... que este fim de semana é para começar a estudar para os exames nacionais. Este ano tem de sair tudo direitinho...


Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Pirilampo Mágico

 

"Pirilampo entra em campo, Portugal saí a ganhar" é o slogan da Campanha do Pirilampo Mágico 2008. Com apenas 2€ podemos fazer a diferença. Vamos ajudar, vamos fazer magia, dar as mãos pela igualdade de direitos, para que todos os humanos se possam sentir cada vez mais humanos na sua vida. 

 

 http://pirilampomagico.sapo.pt/

música: Hino do Pirilampo Mágico 2008

publicado por o_meu_outro_eu às 22:18
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Tiras-me todas as forças!

Respira fundo. Tem calma, por favor. Não te deixes cair. Só tu te podes segurar, mais ninguém. És dona de ti, da tua vida, das tuas opções. Este momento é decisivo. Pensa... e decide com lucidez.

Já almoçaste! Não tens fome.

M*rda! Já perdi a conta ao número de vezes que entrei na cozinha, abri os armários e o frigorífico, senti o cheiro do pão, das bolachas, vi a quantidade de chocolates que tenho só para mim, duas caixas dos meus bombons preferidos, fruta, muita fruta, pão, muito pão, queijo, muito queijo. Já bebi bem mais que 2litros de água. Bem mais. Já li dois blogs inteirinhos. Já acendi a televisão. Já a apaguei. Já subi e desci escadas para esta fúria passar. Já abri os livros para começar a estudar para os exames nacionais. Já os fechei. Tenho um trabalho para fazer mas assim é impossível. Nada me acalma! Podia ir dar uma volta de bicicleta pelo parque... Podia ir lavar aquelas camisolas que estão separadas porque não podem ser lavadas na máquina... Podia ir passar roupa a ferro... Podia ir estudar... Podia ir sentar-me ao sol e ler um livro... Mas não! Vontade de me empanturrar! Só porque sim. Apetece-me engolir tudo. Mastigar. Ahhh como é bom. Como me apetece. Sinto a força da Bulimia... Esta força nojenta que me quer possuir. 

Isto não é normal! Eu tenho de aprender a aguentar-me quando estou sozinha. Eu tenho um monte de coisas que precisam de ser feitas. Porque é que esta voz não se cala de uma vez por todas? Reage, por favor. Não te entregues a uma estúpida doença, a um prazer repentino que te destrói de seguida. Tu és mais do que isso. Lembra-te do teu valor... Lembra-te que "a estrela mais brilhante, brilha na noite mais escura"! Por favor... Pára.  Deixa-me em paz... Eu não aguento isto.     


Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Para ti, Mãe

Porque tu és o meu anjo...  Amo-te.

publicado por o_meu_outro_eu às 14:09
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Sábado, 3 de Maio de 2008

Como diria...

...Eugénio de Andrade.

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
 

 

 Hoje, ao acordar, lembrei-me deste poema. Não sei bem porquê. É um poema bastante conhecido, simples, claro e meigo. A poesia é assim, meiga e límpida. Gostava de saber escrevê-la.... Mas nunca tive o dom para isso, aquela magia, a intimidade com as palavras. "De poeta e louco todos temos um pouco." Dizia o meu professor da primária. Não concordo. Prefiro ler e absorver o encanto que ela transmite.

 

música: Loucos de Lisboa - Ala dos Namorados

publicado por o_meu_outro_eu às 13:25
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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Diagnóstico

Enfim. Sei que este vai ser o post mais infeliz desde que criei o blog. Mas sinceramente, não interessa. Criei-o para mim! E estou a esquecer-me disso. A partir do momento que me preocupo mais com a opinião de quem lê do que com os meus sentimentos, o blog perde todo o seu sentido.

Gosto muito dos comentários que recebo. Muito mesmo. E, talvez por isso, o desejo de escrever sobre o meu mundo, a minha vida comece a despontar. Não quero ser conhecida como a menina bulímica que precisa de atenção! Quero fazer desabrochar a mulher que tanto sonha, projecta, luta, consegue e fracassa como todas as outras. Quero mostrar que essa mulher existe. Mulher que cresce interiormente todos os segundos da sua vida. Eu. 

Sorri. Parece que o mundo parou para mim. Agora, neste exacto momento. Só por uns instantes. Respiraaa... Já está? Abre os olhos... o mundo não espera mais.   

Dá-te valor!

                                                                       

 

 

 


publicado por o_meu_outro_eu às 16:13
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

O blog

Ás vezes vou para escrever um post... depois lembro-me do tema deste blog e puff! A inspiração vai-se.  Este blog tornou-se tão pessoal que me assusta. Mas, lá no fundo, não tem nada de mim! Não me conhecem. Não sabem se prefiro praia ou campo, olhos castanhos ou verdes, água fria ou água quente, silêncio ou agitação. Se gosto de bolacha Maria ou de bolacha torrada, se me quero casar e ter filhos ou ser uma solteira borguista. Se prefiro a frescura de uma manhã de nevoeiro ou um pôr do Sol quente à beira-mar.  Queria tanto apresentar bocadinhos de mim... Mas há algo que me prende.

                                                        

Vou deixar a janela aberta durante o feriado. Pode ser que ajude...


publicado por o_meu_outro_eu às 22:40
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Sábado, 26 de Abril de 2008

Só brilho quando consigo!

"Como uma estrela, que só brilha quando quer...

                (...)

Eu espero que a noite caia, só pra te ver brilhar pra mim
Sem os afectos que o teu mundo ainda te nega
Eu sinto obrigação de te mostrar que vale a pena
Brilhar por um sorriso, pela coisa mais pequena
Seja quando já estás bem ou quando choras num telefonema
Que eu acredito no teu brilho e em tudo o que fazes
Eu só te tento motivar a brilhar sem que te apagues
Só quero isso mesmo quando tu te vais
Porque eu acredito e sei que consegues brilhar ainda mais"
 

Royalistick, Como uma estrela

 

                                          

E hoje não me apetece brilhar!

Não. Cansei! Apetece-me desistir de tudo e de todos.

Vomitei.

 

sinto-me: fraca!

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

A.

Um dia, eu crio um blog só para falar de amor. Mas primeiro, tenho de aprender o que significa!                                                    

                                        

Não te amei. Não te amo, mas sinto-me magoada. Muito magoada. Não quero outra relação só porque "podia ser tudo tão perfeito". Podes ir... Continua a banalizar o verbo amar e um dia, quando perceberes que não fui a única a errar, volta. Talvez ainda te reste a minha amizade. Talvez...


publicado por o_meu_outro_eu às 17:05
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Conclusão rápida#2

Estou num momento de lucidez. Vou dizer já antes que me arrependa, desligue o pc e vá dormir que bem preciso. Ando uma tontinha! Estou sozinha e dou por mim a sorrir sem motivo aparente. Não, não estou apaixonada e a única pessoa responsável por tudo isto, sou eu própria. É por mim que os meus lábios se abrem e os meus olhos brilham. 

Uma noite calma para quem passar por aqui

 

[O cheiro a terra molhada continua entranhado nas minhas narinas! É maravilhoso... ]

          

sinto-me: uma tonta feliz

publicado por o_meu_outro_eu às 22:54
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Segunda-feira

Já repararam como é bom o cheiro a terra molhada? O orvalho que traz o nascer do dia? O vento fresquinho que entra sem pedir pelo casaco e nos faz arrepiar? Hoje senti isso tudo.

Segunda feira. 7horas da manhã. O silêncio de uma aldeia adormecida invadiu-me a alma e consegui absorver toda aquela paz. Hoje, quase que conseguia dizer "Adoro a segunda feira!"

                                                                                                                 

Mas depois, chega a agitação da cidade, o atraso do autocarro, a funcionária da pastelaria meia ensonada que se engana com o troco, a senhora das fotocópias que bate desesperada na máquina porque não funciona, o telefone que não pará de tocar, o penteado estragado por causa da chuva, os pés molhados, o verniz estalado porque no fim de semana não houve tempo, a dor de cabeça porque se dormiu pouco, o cachopo da portaria que berra por uma coca-cola em vez de um copo de leite... e aí baixo os braços e calo a boca. Mas no meu interior ainda esboço um sorriso... porque a verdade é que adoro isto. A segunda feira.  

 

 

Tenho medo que isto não passe de uma fase.    


publicado por o_meu_outro_eu às 16:18
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Sábado, 19 de Abril de 2008

Eu

A minha vida continua um io-io! Mas agora, o cordel está bem mais pequeno...

"I tried to be perfect

                            but nothing was worth it"

 

Ainda não sei bem quem sou e o que faço aqui, mas com o tempo tenho esperança de aprender. Tenho tantos defeitos... mas já desisti de não os ter! A Bulimia tirou-me muito... muito mesmo! Mas ainda tenho muito mais pela frente. Sei que me esperam sorrisos, lágrimas, conquistas e derrotas. Espera-me a vida! E eu estou a entrar nela. Sinto-a! Acho que só agora me estou a construir como pessoa. Só agora estou a perceber e a aceitar que tenho sentimentos maus e limitações. A fase de adolescência devia ter servido para isso... Mas não vale de nada parar e olhar para trás. Só eu agora interesso! Preciso de passar por uma fase de egoísmo. Preciso de me valorizar e deixar que os outros me valorizem. Aceitar um elogio e sorrir em vez de desconfiar.

Está a chover imenso! Apetece-me sorrir e chorar ao mesmo tempo. Apetece-me ir para a rua e sentir esta força, esta energia, esta vida que a Natureza nos dá! Apetece-me sentir a água na cara e o vento a sacudir-me os cabelos. Ficar toda molhada e tremer de frio... Viver. Apenas isso.    

                                                             

sinto-me: bem
música: Sum 41 - Pieces

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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Cala-te, por favor!

Vem secar a minha face, mãe... Diz-me que me adoras e pede desculpa pelo que me dizes todos os dias. Eu desculpo mãe! Mas vem...

 

Ou então não venhas! Fica aí onde estás! No teu canto a lamentar-te pela filha imperfeita que Deus te deu. Fica! Cala-te! Eu não vomitei! Juro que não. E tu não acredistaste em mim.  

Porque eu sou humana e tenho direito a ter sentimentos maus: Odeio-te!  

 

sinto-me: revoltada
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Suave nervoso

Hoje. Como nunca aconteceu, o teu olhar paralisou-me. Os meus músculos prenderam, a minha face corou e a voz foi tremendo frases curtas e sem sentido.
Precisava de tempo para mim. Já o tive. Será que foi suficiente? Acho que só sei se arriscar.
Não me olhes assim... Não me digas que sou linda. Não me digas que te estás a apaixonar.
Seguras-me a minha mão e vais-me levando... Assim. Tão suave. Mas, para mim, tão assustador.
Não sei o que quero. Não sei se te quero.
Estou confusa. Deixas-me pensar?
Tenho medo de voltar a correr mal. Sempre pelo mesmo motivo. O único. E que ainda não acabou. 
                                                                                                                                                                                        
                                                   
sinto-me:

Quase...

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Sobra cobardia e falta coragem até para ser feliz!
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance e para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(encontrei na net. não fui eu q escrevi)

sinto-me: cansada

publicado por o_meu_outro_eu às 19:46
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

Quero!

Um ancião índio norte-americano, certa vez, descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira:
- Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom, e eles estão sempre brigando.
Quando lhe perguntaram qual cachorro ganhava a briga, o ancião parou, reflectiu e respondeu:
- Aquele que eu alimento mais frequentemente.

         
                                       Paulo Coelho

A cura é feita de opções, de estratégias, de lágrimas, de quedas, de pequenas vitórias e de constantes brigas interiores. Mas eu quero. E eu hei-de conseguir! 
 
                                                                                                                                                                

publicado por o_meu_outro_eu às 12:53
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Desvaneios

Apetece-me desmarcar o café logo à tarde e acabar com o cinema ao fim de jantar! Matar as palavras bonitas que posso ouvir e o sorriso lindo que até quero ver.  Esquecer o corpo inútil que tenho de mostrar! Que raiva é esta?! Apetece-me comprar tabletes de chocolate, bolachas, um saco de pão e comer! Tudo. Comer pelo simples facto que me dá prazer. Dá. Aquele prazer momentâneo e fácil de atingir.
Não posso ser fraca. Chega de optar por uma vida de facilidades! Deixa-te viver. Deixa-te agarrar os momentos bons.
Horário de almoço. Tinha mesmo de fazer isto.
Vou já sair de casa! Não aguento estar aqui, nem mais um minuto.

Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Até o blog está em crise!

Às vezes apetece-me mudar isto tudo. Sei lá... ter um espaço mais normal. Se eu fosse normal, fazia-o! Queria mostrar outros lados de mim. Tenho tantos... Alguns são bons sabiam? Outros nem por isso...
Caramba!
O blog está a passar por uma certa crise existencial! Também tem esse direito...
                    

               (P.S. Saltos altos ou saltos rasos?!)
música: lugar - Pedro Khima
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publicado por o_meu_outro_eu às 14:52
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Coisas que sei

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.

Charles Chaplin
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publicado por o_meu_outro_eu às 13:16
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Frases soltas#1

É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os.

Alexandre Herculano
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publicado por o_meu_outro_eu às 10:16
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Chorei por todas nós

Consulta ontem. Deviam ter visto a minha cara de felicidade quando saí do hospital. "Posso até ter engordado, mas sinto-me tão bem!" Foi mesmo isto que disse para mim! Senti-me viva! Tive vontade de correr e sentir aquele vento suave, de fim de tarde, a bater na cara. Sensação  inexplicável.
Na sala de espera, estive a falar com uma psicóloga estagiária. É uma pessoa muito meiga e as palavras dela encaixavam tanto com o que vagueava na minha cabeça... Normalmente chego ao hospital uns 15 minutos antes do horário da consulta. Nesse tempo, faço sempre o mesmo. Pergunto-me porque é que estou ali, quando é que tudo vai acabar, se serei capaz ou não, recordo a semana, os meus fracassos, os sucessos, programo o que vou dizer à médica, olho outras meninas que também aguardam consulta... e comparo-me. Sei que também elas estão a sofrer, mas a ideia de serem mais fortes, de estarem mais magras ou ter melhor aspecto que eu, fica por momentos a pairar na minha cabeça. Admito.
Não sei se a estagiária percebeu isso ou não, mas começou a falar-me de outros casos tão diferentes mas, no fundo, tão iguais. Há raparigas que são seguidas à vários anos mas também há outras que apenas precisam de acompanhamento durante uns dois, três meses. Cada pessoa é uma pessoa! E tenho de aprender isso.
Houve situações que me marcaram, esta foi uma delas: uma menina que estava a pesar 32quilos. 32quilos! Corria risco de vida e precisava de ser internada. Ela apenas disse à médica que não precisava de ajuda, que não tinha doença nenhuma e que sabia bem o que queria fazer. Nem consigo imaginar, o desespero do pai a suplicar à médica que salvasse a sua menina. Um pai que está a ver morrer uma filha. E que por muito que queira não consegue e nem pode, fazer mais nada por ela. Uma médica que se sente impotente. O meu coração ficou tão apertado. Ela voltou para casa e àquele pai restou ouvir "Se ela desmaiar, venham imediatamente ás urgências para ficar internada."
Outra, bulímica como eu,  estava desesperada. Não engolia alimentos nenhuns e não parava de engordar. Mastigava imensos bolos, tartes e outros alimentos calóricos mas deitava fora, cuspia. O que ela não sabia, é que logo na boca são absorvidos nutrientes.
Uma rapariga levantou-se e entrou para o consultório. Era muito magra e tinha um olhar distante, apagado. A psicóloga ficou em silêncio por uns segundos. "Achas aquele é um corpo bonito?" Não.
Quando vinha no autocarro, já de noite, sozinha e com frio, fixei o olhar no meu reflexo da janela. Pensei no sofrimento daquela menina, na vida que a doença lhe roubou, na aflição do pai, na impotência de todas as famílias que lidam com um distúrbio alimentar, no olhar apagado da outra rapariga, em mim, naquilo que já perdi, naquilo que ainda quero recuperar.
Fiquei imóvel e chorei. Chorei por todas nós.

Hoje vomitei.
música: In the end - Linkin Park

Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Signos

Não sou o tipo de pessoa que lê o horóscopo diariamente, mas acredito que isto da astrologia tem mesmo algumas influências na nossa personalidade e forma de estar na vida.
Personalidade do meu signo:
Muito comunicativo. Inteligente e engenhoso. Muito falador. Vivo, enérgico. Adaptável, mas com necessidade de se expressar. Argumentativo, franco, sensível. Gosta de mudança. Versátil. Ás vezes é nervoso e tenso. Pode parecer superficial ou incoerente. Mas só é sujeito a mudança. Sempre disposto a aventura. Bonito fisicamente e mentalmente.
Eu sou assim?! Tanta coisa boa!
Já agora... alguém me sabe explicar o que é o ascendente?!




Ponto de situação: A alimentação estes dias tem sido completamente caótica. Ando a esforçar-me por fazer todas as refeições e começar a introduzir hidratos de carbono ao almoço e ao jantar. O problema é que a maior parte das vezes acabo por perder o controlo e empanturrar-me! Não tenho vomitado! Sempre que exagero (e não têm sido poucas as vezes!), aguento. Sinto-me inchada e mal disposta.  O meu organismo anda completamente desregulado e com razão para isso.
Apesar disso, tenho ido ás aulas e tento manter-me concentrada.



Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Palavras para a minha mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo.
a fotografia em que estou sentado ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho. gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras. sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste. somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão


Um dia, vais orgulhar-te da filha que tens. Prometo, mãe.



Prometo.
música: Pieces - Sum41
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Saudades tuas, R.

A noite estava muito fria, mesmo.

As luzes da rua há muito que tinham acendido e os senhores responsáveis pelas limpezas já por ali andavam.

Os estudantes passavam em grupos, deixando para trás gargalhadas e histórias mal contadas a cheirar a álcool e a tabaco.

Sentei-me no banco de jardim, cruzei as pernas e deixei cair a cabeça nas minhas mãos. Estava sozinha e só eu me podia amparar.

Olhei para o fundo da rua. Começava a aparecer um nevoeiro estranho e dele surgiu um casal de namorados. Caminhavam calmamente, abraçados, enquanto olhavam um para o outro da forma mais tranquila e doce que eu podia imaginar.

Olhei para o telemóvel e a caixa de mensagens continuava vazia.

O rapaz era alto, moreno, com um ar de desportista saudável; tinha umas mãos grandes, um sorriso meigo e largo e uns olhos grandes e castanhos.

No fundo da rua continuava a haver apenas nevoeiro.

A rapariga era mais baixa, com uma cara comprida e um olhar apaixonado.

Atravessaram a estrada, entraram no carro estacionado a poucos metros de mim, beijaram-se e desapareceram no nevoeiro.

Fechei os olhos e uma lágrima caiu pela minha face.

Porque não chegavas??? Porque me deixavas ali sozinha e tão perdida?

Os meus olhos encharcaram-se rapidamente, peguei no telemóvel, apertei o casaco, levantei-me e parti também eu para aquele nevoeiro cerrado… sozinha.

-Miúda! – Gritaste. O meu coração quase que parou. Limpei as lágrimas e virei-me para trás. Seguiu-se um abraço e um beijo em que procurei o carinho que tanto precisava.

Afastaste-me.

- Que tens?

- Saudades tuas. – Tremeu a minha voz

- Porque estiveste a chorar?

- Nada de importante.

- Vamos para casa. – Firme. Sempre firme. Meteste as mãos nos bolsos e seguiste à minha frente. Fechei os olhos por segundos e vi o casal de namorados, do outro lado da estrada.

-Não vens?!

-Vou. – Abri os olhos, já secos, e fomos para o apartamento.

Abrimos a porta e em vez do aconchego que naquele momento precisava, havia uma casa imunda onde eu nunca pensei dormir.

- Queres comer alguma coisa? – disseste com esse teu à vontade.

- Não estou com fome. Comi quando saí das aulas.

Sorriste. Sorriso que não consegui interpretar.

Olhei a volta. Havia imensa loiça para lavar, o lixo não era trocado há vários dias com certeza e o cheiro não me dava margens para dúvidas. Havia calçado espalhado por toda a casa e um monte de roupa, não percebi se suja se lavada, junto à janela.

- Este apartamento precisa de uma mãozinha… e amanhã estamos por casa – sorri-te desejosa que te oferecesses para limpar comigo.

- Depois se vê.

Levantaste-te e passaste a mão na minha cara.

Fechei os olhos e beijei os teus dedos. Senti a tua mão na minha cintura e os teus lábios nos meus. Passei pelos teus cabelos suavemente e disse-te ao ouvido:

- Preciso tanto de ti…

Tiraste-me o casaco ainda gelado e húmido e senti os teus dedos passar com pequenos toques no meu corpo, por cima da blusa preta.

Desapertei cada botão enquanto te olhava com firmeza e molhava os meus lábios. Desejava-te como sempre desejei. Queria te sentir meu e buscava no teu olhar o menino dócil e carinhoso em que te transformavas ali.

- És linda. – disseste enquanto me olhavas, ora com ternura, ora com malícia.

O teu toque, os teus lábios perdidos por cada bocadinho de mim... o teu simples passar de dedos no meu pescoço… nos meus ombros… no meu decote… nos meus seios. O arrepio que a tua língua me fazia sentir, o calor que o meu corpo transbordava… A minha respiração começava a acelerar e o meu coração fazia-se sentir em todas as partes do corpo.

Queria-te dentro de mim e que aquela fosse a nossa noite. Queria acreditar que o desejo sexual e a paixão são capazes de se fundir com carinho e amor.

As tuas mãos percorriam o meu corpo a uma velocidade louca e comandados por essa vontade e loucura, rebolamos para o sofá como dois amantes com o tempo contado para estar juntos. Queria que o relógio parasse, que o mundo permanecesse imóvel e só existisse eu, tu e aquele lugar.

O teu cheiro natural e intenso fazia-me delirar e os nossos corpos vibravam de tesão.

Fazias-me tremer e pedir mais. Contigo não havia complexos, não havia medos nem falhas. Era tudo perfeito e atingível. A vontade de experimentar era comum aos dois e o nosso encaixe era único.

Foi realmente a nossa noite.

Adormecemos abraçados, com um cansaço conjunto e um sorriso calmo.

Pela manhã, o sol acendeu o quarto minúsculo e sentia-me na alma de um bebé. Leve e amada.


E foi a última noite. Agora somos "apenas grandes amigos e foste tu quem assim escolheu!" Na altura tomei a decisão que me era necessária e agora, apenas relembro tudo e esboço um sorriso.

                                                            Saudades tuas, R. 
sinto-me: sozinha
música: Mulher que Deus amou - Valete
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Desafio-te!

O objectivo1 de Janeiro está cumprido! Um livro simples, que conseguiu mexer com o meu interior. Comoveu-me, sim. Aprendi, sim.
Deixo um desafio. Um pequeno excerto, que escolhi carinhosamente para que quem passar por aqui leia e se delicie... e depois acerte o título do livro que li. Há prendinha para o vencedor!

"Sheila ergueu os olhos.
- Só não compreendo por que é que as coisas boas acabam sempre.
- Tudo acaba.
- Nem tudo. As coisas más. Elas não acabam.
- Acabam, sim. Se se quiser. Às vezes, não tão depressa como queríamos, mas têm um fim, como tudo. O que não acaba é o que sentimos uma pela outra. Mesmo quando fores crescida e viveres noutro sítio, recordar-te-ás dos bons momentos que passámos juntas. Mesmo quando tiveres problemas que te parecerão não mais acabar, poderás recordar-te de mim. E eu recordar-me-ei de ti.
Inesperadamente ela sorriu, um leve sorriso e um pouco triste.
- Isso é porque nos cativámos. Lembras-te daquele livro? Como o rapazinho ficou furioso por se ter esforçado tanto por cativar a raposa e agora a raposa chorar por ele ter de se ir embora? - Sorriu ante a recordação, mergulhada nos seus pensamentos, quase me esquecendo. As lágrimas haviam secado nas suas faces. - E a raposa dizia que seria sempre bom, porque ela sempre se lembraria dos campos de trigo. Lembras-te disso?
Assenti com a cabeça.
(..) Agarrava-se a O Princezinho, como a prova literária, palpável, de que as pessoas se separavam, que doía e que elas choravam, mas continuavam a amar-se."
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publicado por o_meu_outro_eu às 20:17
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Só queria chorar...

Deixei-me escapar por entre os meus próprios dedos!
 
                                                                        

Ironicamente, o fim de semana foi positivo... fui para a noite, diverti-me, estive com pessoas que me fazem bem, dancei, ri-me... Cheguei a casa e apeteceu-me chorar! Hoje continua a apetecer-me. Mas nem as lágrimas querem sair. É estranho... Está a doer tanto cá dentro mas não consigo exteriorizar. Não consigo!
Tenho vontade de gritar. E não consigo.


publicado por o_meu_outro_eu às 16:58
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Conclusão rápida

Ando a enganar-me a mim própria!

Quero mas continuo a não querer.


Consulta hoje Tenho muita coisa para pensar esta semana. "Em que é que emagrecer ainda te fascina?" Numa vida completamente caótica é a única coisa que eu posso, ou devia poder, controlar. Percebe? "Escreve sobre isso."
 

publicado por o_meu_outro_eu às 19:48
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Desarmada!

Acho que nunca aqui tinha falado da criança que mais amo neste mundo, aquela que não passo um dia sem beijar e abraçar, aquela que para ver feliz o impossível torna-se possível. O meu irmão.
É um menino alegre, vivo, traquina mas muito meigo, sensível e com um coração enorme. É o menino que eu vejo crescer e me faz sentir orgulhosa a cada dia que passa. Lembro-me tão bem de quando era bem pequenino e o acordava com beijos, lhe dava a caneca do leite, vestia-lhe aquele fato azul e beje que nunca me esqueço e lhe aturava aquelas birras matinais a caminho da creche, com a ameaça de ir fazer queixinhas à mãe se não me obedecesse.
Agora está maior. E cada dia que passa o amo mais!
Aiii... o prazer que me dá quando, depois de entrar pela porta do quarto com aquele sorriso maroto e envergonhado, pergunta tudo aquilo que faz confusão naquela cabeçinha ainda imatura.
Hoje fez-me chorar. Pela primeira vez deixou-me completamente desarmada. Sempre falei de tudo com ele, de uma forma muito aberta mesmo. E gosto de ver a confiança que tem em mim. Mas hoje foi diferente.
A professora tinha pedido que todas as crianças fizessem uma pesquisa para apresentar oralmente a turma. O tema era livre e como sempre o meu menino veio-me pedir ajuda. Sugeri que falasse sobre reciclagem ou sobre um filme que vimos ultimamente juntos. Mas ele surpreendeu-me.
- Eu gostava de falar sobre aquela doença. Aquela em que ficam muito magras. Ano... anorexia não é mana?
Senti uma pancada no peito e os meus olhos encheram-se imediatamente de lágrimas. Segurei firme e apenas disse:
- Acho que é um tema muito complicado.
- Ajudas-me...
- Tem nomes muito difíceis de dizer. A mana já vem. Desfolha essas revistas para ver se tens ideias.
Fechei-me na casa de banho e chorei. Chorei porque um monte de sentimentos e questões me assaltaram de repente.
Será que o meu menino que eu tanto protegi até hoje, alguma vez tinha percebido o que se passava com a irmã? Será que ouviu falar na televisão e era apenas curiosidade? Por momentos senti que talvez já não fosse o seu ponto seguro porque afinal ele já tinha percebido a minha fragilidade.
Depois pensei.... ele é o único que assiste às minhas crises de loucura. Ele, que já me viu tanta vez comer quantidades absurdas de comida sem quase mastigar. Ele, que ouviu tanta vez depois do empanturramento: "Vou tomar banho. Não sais daqui!" E depois me apanhava a vomitar. E tanta vez o expulsei da casa de banho com olhar de raiva! Não queria que me visse forçar o vómito. É uma criança. E tinha de o proteger das paranóias da irmã.
Será que ele se apercebeu?
Por muito que me doía admitir acho que sim. Ao entrar novamente no quarto, depois de lavar a cara com água gelada e me preparar para o ajudar no trabalho (independentemente do tema), ele estava sentado em frente ao ecrã do computador a fazer a sua pesquisa. E no motor de busca a palavra escrita era reciclagem. Olhou para mim com uma cara tão triste que me fez voltar a chorar. Ali, em frente dele. E por o motivo que talvez ele saiba, talvez não.
Não era capaz de o ajudar neste trabalho. Ele vai ensaiar a apresentação cá em casa e eu não ia aguentar ver uma criança falar sobre distúrbios alimentares com os meus pais a ouvir. Era demasiado forte e eu não estou preparada para isso.
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publicado por o_meu_outro_eu às 21:49
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

É tão difícil...

Quero acabar com este inferno, mas quero emagrecer ao mesmo tempo.
A Bulimia destruiu-me completamente. Sentei-me debaixo do chuveiro, a força da água a bater nos meus ombros e na minha cabeça fez-me centrar só em mim. Olhei o meu corpo e não o senti meu. Não quero estes contornos... Não quero as minhas ancas e os meus peitos riscados de roxo... Não quero esta barriga sem forma... Não quero estas pernas finas e moles... Um corpo cansado e inútil.
Pesei-me. Andava a evitar a balança. Não queria saber de números e queria fugir a mim própria. Não me consigo amar. Assim não.
Sei que o meu valor pessoal não pode passar tanto pelo físico. Eu sei mas...

Vou ser completamente contraditória, louca até!
Talvez volte ao mesmo. Eu sei disso! Mas engordei verdadeiramente e, apesar de estar com um peso normal, não é esta imagem do espelho que quero.
dias de jejum / dias de empaturramento / vomitar / proibir-me de vomitar

O que resultou? 55quilos!!
Não quero novamente os 45! Quero ter formas de mulher e não um corpo frágil de criança.
Mas quero emagrecer! Mas quero-me curar! (não quero que esta voz perca a força que já tem)
Quando chegar aos 48 paro! Juro que paro.
Vou postar diariamente a minha alimentação no outro blog que criei e nunca usei. (aqui) Sei que não interessa a ninguém o que como ou deixo de comer mas para mim é preciso.


Sinto-me completamente perdida e com tantas incertezas e medos.
Não vou fazer como dantes, espero eu.

Então é assim:
- Fazer TODAS as refeições
- Não existem alimentos proibidos mas sim quantidades proibidas
- Beber, no mínimo, 2litros de água por dia
- Beber chá verde antes de dormir
- Subir e descer cerca de 300 escadas todos os dias
- Ir ao ginásio (se der tempo)
- Correr 2vezes por semana
- Fazer abdominais diariamente

Enquanto escrevi isto a televisão estava ligada no Fashion TV (este canal faz-me mal, eu sei) mas pela primeira vez fiquei ao ver uma sessão fotográfica de uma rapariga, pela primeira vez não gostei e não senti inveja nenhuma.
Era magra demais... não tinha peito, as pernas eram extremamente finas, a cara dela assustou-me até.

Quero ter sempre esta consciência presente.
                                                                          
Alguém que diga que me entende... preciso!



(Este post fez-me sentir tão ridícula meu Deus... Faz com que este se torne mais um vulgar blog em que se fala de coisa nenhuma.)

Sábado, 12 de Janeiro de 2008

"Parabéns! Aceita-os."

Sábado: o dia em que os meus medos ameaçam superar-me. Sozinha em casa, muita matéria para estudar e a casa toda para limpar. Devia ser bom porque me mantenho ocupada mas tem o efeito contrário. (É preciso ficar tudo feito e sei que para isso não posso descontrolar na alimentação. Se começo a comer não paro e fico o resto do dia a lamentar-me.) Não podes pensar assim!!
Ontem tive consulta e houve uma coisa que mexeu comigo. "Parabéns! Aceita-os."  A psicóloga tem aquela capacidade de dizer a palavra certa no momento certo. É uma boa profissional. Aos poucos, estou a ganhar confiança com ela e a contar o que antes lhe omitia. As nossas conversas tinham sempre o mesmo ponto de partida e o mesmo ponto de chegada: comida. Ela queria que eu me abrisse e falasse dos meus medos, das minhas dúvidas e daquilo que me fazia sentir mal, mas eu circundava a pergunta. Acho que vergonha é a palavra certa. Bendito o tempo em que deixei de ir ás consultas... Deu para eu perceber muita coisa mesmo. Ontem falamos nisso. Perguntou-me se eu notava diferença e qual era o papel da Bulimia neste momento na minha vida.
- Sim sei que estou diferente mas...
- Parabéns! Aceita-os!
Calei-me. Porque não consigo aceitar os pequenos sucessos? Sei que estou melhor. Sei que tenho uma grande caminhada pela frente mas a força que tenho agora não se compara com a de quem tentava arranjar desculpas e mais desculpas para não ir ás consultas.  Agora vou. Não posso dizer que fico com um sorriso nos lábios e cheia de vontade de chegar a hora mas vou.

Tinha vomitado antes de ir e como é normal, juntas procurámos o motivo do vómito ter acontecido. Comi um croissant com queijo e fiambre a meio da manhã. Não o podia ter feito.  Acabei as aulas e fui ao hipermercado comprar uma tablete de chocolate para comer no autocarro, sozinha. Cheguei a casa, acabei com o chocolate que tinha comprado, torrei um pão com queijo derretido e comi, fiz massa com atum rapidamente e comi. Corri para a casa de banho e, já de joelhos, chorei ao olhar para a sanita. Pensei duas vezes. Levantei a tampa e vomitei.
Depois de contar a psicóloga, mesmo sem ela dizer nada consegui concluir. Não pode haver alimentos proibidos. Percebi.
 
Agora tento responder a pergunta: "Que papel assume a Bulimia neste momento na minha vida?" É o meu trabalho de casa.
sinto-me: um pouco confusa, mas bem

Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Futuro... que futuro?

- Mãe como foi a tua adolescência?
- Normal querida.
- Davas problemas aos avós?
- Alguns... mas pequeninos.
- Tabaco, álcool, namorados, estudos e essas coisas?
- Acho que nada disso. Olha nunca fumei e nunca senti necessidade de experimentar. Muito raramente bebia álcool. Namorados tive poucos e nunca fiz aqueles planos todos para o futuro que assustam as  mães.  Sempre tive os pés assentes na terra e na escola, era boa aluna.
- Que problemas deste tu afinal?
- Os normais querida. Ás vezes tratava mal os avós, mas gostava muito deles.
- Porque os tratavas mal?
- Não sei. Quando andava mal disposta ou nervosa com alguma coisa descarregava sempre em cima da avó.
- A avó diz que gosta muito de ti.
- Eu sei querida.
- Então se sabes porque fazias isso?
- Porque só discutia e tratava mal as pessoas que me amavam.
- Porquê mãe?!
- Porque tinha a certeza que essas eram as pessoas que estavam sempre lá. Mesmo que fosse cruel e dissesse coisas feias no dia seguinte davam-me os bons dias na mesma. Percebes?
- Sim. A avó diz que tu eras uma adolescente complicada.
- E que mais disse ela?
- Que tu agora és feliz!


Quero que um dia esta conversa seja real... que termine com um "Agora és feliz!", uma lágrima de alívio e um abraço de mãe e filha.
Quero! Quero! Quero!
Será que era capaz de reagir se um filho meu me perguntasse o porquê da mãe ter sido acompanhada na psiquiatria??? O que vai ser a Bulimia para mim no futuro? um segredo? uma mancha do passado que tento esconder? Ou vou ser capaz de explicar aos meus filhos o sofrimento por que passei? E se eles não me percebem? E se também eles um dia vierem a ter problemas com a alimentação? Eu conseguiria suportar? Quem sou eu para um dia obrigar a minha filha a jantar com a família, quando ela chora e diz que quer emagrecer? E se for apenas o meu fim??
"Pára meu coração! Não penses."
                                                                                                                                      Álvaro de Campos

Sonho construir a minha própria família, sentir-me amada e saber que no dia seguinte ao acordar sou precisa a alguém.
Sonho com uma tarde de domingo... no Inverno... com a lareira acesa... os meus pais no sofá a relembrar os que as rugas escondem... o cão deitado aos pés do R (?!)... uma manta a cheirar a bebé... um filme de desenhos animados... e na mesa um café quente e bolinhos de canela.
Uma família serena e amada. Sou muito sonhadora e pouco realista! Mas estarei eu a pedir assim tanto? Acho que não. Apenas peço paz. Mais nada.

publicado por o_meu_outro_eu às 15:19
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Continuo...

Continuo a fazer aquilo que já sei que está errado.
Continuo a não conseguir comer junto a outras pessoas, fora de casa.
Continuo a almoçar uma pêra trancada na casa de banho, sair do centro comercial e dizer que já almocei.
Continuo a empanturrar-me quando chego a casa.
Continuo a esconder comida dentro do armário da roupa.
Continuo a rejeitar convites para me divertir.
Continuo a não me conseguir concentrar em nada.
Continuo a faltar às aulas.
Continuo a desmarcar saídas.
Continuo a sentir-me inferior.
Continuo a não ser capaz.
Continuo sem forças.

E continua... continua...

É esta a mulher medíocre em que me transformei!!

Ou queres ou não queres! E só tu podes optar.
 

O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

 

A subtileza das sensações inúteis,

As paixões violentas por coisa nenhuma,

Os amores intensos por o suposto alguém.

Essas coisas todas -

Essas e o que faz falta nelas eternamente -;

Tudo isso faz um cansaço,

Este cansaço,

Cansaço.

 

Álvaro de Campos

sinto-me: abatida

Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

Diário de uma condutora

Aviso que não fui eu que escrevi. Felizmente!

8 de Janeiro
- A Escola de Condução fez-me uma festa de despedida. Os instrutores nem sequer deram aulas. Um deles disse que ia á missa, julgo que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam embebedar-se, para comemorar. Achei simpática a despedida, mas penso que a minha carta não merecia tal exagero.

12 Janeiro
- Comprei carro, infelizmente tive que deixa-lo na oficina para substituir o pára-choque traseiro, porque ao tentar sair, meti marcha-atrás em vez de primeira. Deve ser falta
de prática. Há uma semana que não conduzo! Compreende-se.

14 Janeiro
- Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao tê-lo na mão, que resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiverem a mesma ideia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos a buzinar como num casamento. Para não parecer antipática, entrei na brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5 à hora. Os outros gostaram buzinando ainda mais.

22 Janeiro
- Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram posters avisando em grandes letras: "ATENÇÃO ÁS MANOBRAS", marcaram com tinta branca um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de sair à rua enquanto durassem as manobras. Penso que é tudo para não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...

31 de Janeiro
- Os outros automobilistas estão sempre a buzinar e acenar-me. Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. É que um deles apontou para o céu com o dedo espetado. Quando procurei ver o que me apontava, quase bati. Valeu que eu ia á minha velocidade de
10 à hora.

10 de Fevereiro
- Os outros automobilistas têm hábitos estranhos. Para além de acenarem muito, estão sempre a gritar. Não os ouço, por ter os vidros fechados, mas julgo que me querem dar informações. Digo isto porque julgo ter percebido um a dizer " Vai para casa!". É espantoso. Não sei como ele adivinhou para onde eu ia.
De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão de abrir os vidros vou tirar muitas duvidas.

19 de Fevereiro
- A Cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje a minha 1ª condução nocturna e tive de andar sempre nos máximos, para ver convenientemente. Todos os automobilistas com que me cruzei pareciam concordar comigo, pois também ligaram os máximos e alguns
chegaram mesmo a acender outros faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadelas. Talvez para espantar qualquer cão ou gato. Sei lá.

26 de Fevereiro
- Hoje tive um acidente. Entrei numa rotunda, e como havia muitos automóveis (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo, uns quatro), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por ficar tonta e fui chocar com o monumento ao centro da rotunda.
Acho que deviam limitar a circulação nas rotundas a um carro de cada vez.

3 de Março
- Estou em maré de azar. Fui buscar o carro à oficina e, logo á saída troquei os pés, acelerando a fundo em vez de travar.
Fui contra um carro que ia a passar, amassando-lhe todo o lado direito. O automobilista era, por coincidência, o engenheiro que me fez o exame de condução. Um bom homem, sem duvida. Insisti em dizer-lhe que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de
repetir: "Que Deus me perdoe! Que Deus me perdoe!"



E bom humor matinal é que é preciso! Desejo com muita força que o engenheiro que me examine seja o mesmo que deixou esta menina ir para a estrada. 
sinto-me: animada

publicado por o_meu_outro_eu às 08:40
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Domingo, 6 de Janeiro de 2008

Contador

E a partir de hoje tenho um novo contador no meu blog!
Cansei do outro. Este é bem mais simples e mais bonito.

(E faço eu um post para dizer isto!)

Bom resto de fim de semana para quem passa por cá.
sinto-me: cheia de dores!
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publicado por o_meu_outro_eu às 16:36
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Vai ser AQUELE ano!

2008 começou mal! Muito mal mesmo! Estou doente.
Não queria uma doença física? Pois agora cá a tenho!
Mantinha e chá quente! O frio da noite de passagem de ano já fez das suas. Mas o que interessa é que me diverti. Nem sei como. No fim de vestir a roupa nova e me olhar ao espelho houve um conflito mental enorme. (Palavras da psicóloga: Dá os parabéns a ti própria!)
Alimentação destes dias: tremida! Não vou comentar muito.

No último post disse que tinha feito uma lista de pequenos objectivos! O objectivo principal é tão fácil de prever como difícil de atingir por isso vou-me agarrar aos pequeninos.

Eu vou:
  1. Ler um livro todos os meses.
  2. Fazer uma esfoliação corporal todas as semanas.
  3. Fazer uma máscara ao meu cabelo todos os meses.
  4. Estudar uma hora por dia.
  5. Ir ao ginásio no mínimo uma vez por mês (nem comento)
  6. Plantar uma árvore (Ideia tirada daqui)
  7. Tirar muitas fotografias!
  8. Inscrever-me nas danças latinas (ao tempo que ando a dizer isto...)
  9. Ter um gato.
  10. Passar nos exames nacionais!
  11. Ir a feira popular. (cheirinho a pipocas e a loucura dos carros de choque!)
  12. Apaixonar-me.
  13. E voltar a apaixonar-me!
  14. Passar uns dias fora com as meninas!
  15. Arranjar um part-time no Verão.
  16. Fazer voluntariado. (Fiz em 2007 e adorei a experiência.)
  17. Conduzir legalmente.
  18. Ir ao cinema mais vezes.
  19. Dedicar mais tempo à cadela.
  20. Demorar mais tempo a lavar os dentinhos.
  21. Dormir com a mãe.
  22. Jogar no euro-milhões.
  23. Ganhar o euro-milhões! (sim querida sonha.. )
  24. Não me esquecer do aniversário de ninguém.
  25. Ter uma conversa séria (ahah) com o R. (Um dia destes apresento...)
  26. Cozinhar.
  27. Levar a princesa ao parque infantil.
  28. Ir jantar fora.
  29. Este espacinho fica reservado para a sugestão de quem ler este post!
  30. (....) E isto fica para quando me lembrar de outras coisas.

publicado por o_meu_outro_eu às 16:34
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Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

Este espaçinho que me faz tão bem...

Hoje sinto-me meia abatida. Vomitei. Ultimo vómito de 2007!
Faz duas semanas que já não provocava o vómito e tinha decidido que não o voltava a fazer este ano... Mas hoje fraquejei. Acontece. Felizmente estava sozinha em casa e a minha mãe nem sonha o que fiz. Faço tudo para a ver bem e sei o quanto lhe custa me apanhar a vomitar trancada na casa de banho! Estou triste mas é normal.(palavras da psicóloga : Aceita os sentimentos.) Curioso como em todas as consultas ficam palavrinhas gravadas na minha cabeça e que depois faço por as fazer ouvir várias vezes ditas por mim a mim! Acho que é aqui que reside a minha luta.


Bem...
Passagem de ano. É incrível como o tempo passa e as promessas que fiz no ano passado foram pelo cano! Mas já percebi o porquê e rezo para que este ano seja diferente. Não posso exigir de mim mudar de um dia para o outro. Quero mudar aos pouquinhos e (muito importante) ter objectivos extra-doença... extra-comida... extra-dor!
Fiz uma lista enorme de pequenas coisas que quero fazer em 2008! Pequenas coisas atingíveis mas que exigem atenção e trabalho de mim. Pequenas coisas que me vão fazer feliz à medida que as realizo.
Desejo principal? Paz, equilíbrio, calma, serenidade. 
Quero me conseguir maravilhar com as coisas mais simples da vida!

E nada melhor que começar em grande! Por isso estou obrigada por mim a passar as doze badaladas fora de casa... de preferência a dançar e a rir muito!
Amanhã vou as compras... ver se compro alguma coisa bonita para me sentir uma estrelinha no dia 31! Acho que isto não são futilidades... Até porque não quero nada de muito brilhante! Quando era mais nova adorava ser o centro das atenções na noite... Agora nem por isso.
Tenho medo. Ir as compras para mim agora é uma tortura. Nada do que vejo nas montras gosto de ver no meu corpo e não me apetece nada começar a chorar dentro da cabine de prova ao olhar para mim. Não era a primeira vez!
Espero que corra bem!

Quero agradecer do fundo do meu coração às pessoas especiais que passam pelo meu blog...  Não  imaginam o quanto importante para mim é esta atenção que vou recebendo!
Não conheço ninguém mas sinto um carinho enorme por vocês. Parece ridículo mas não é! Talvez por estar carente, não sei, mas cada vez que leio um comentário fico com um sorriso na cara. Felizmente nunca me julgaram aqui e isso para mim é muito importante!

para a AB e a Blair... duas pessoas maravilhosas que não têm blog (e por isso não posso passar lá para deixar miminhos) mas que têm uma presença aqui muito importante  e que já me é fundamental!

  
sinto-me: com medo do dia de amanhã

Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Umas horinhas para mim..

Hum....... Como é bom sentir-me limpa e cuidada... Hoje o dia é meu! Em casa.. e pode ter vários significados! O mais habitual era empanturrar-me, vomitar e passar o resto do dia a ver televisão enfiada no sofá à espera que o mundo se esquecesse de mim... ou então... Aproveitar para me fazer feliz! E há mais formas de o fazer cara Bulimia! Hoje não tens espaço para manobra porque quem faz as minhas escolhas sou eu!
Receita? Dormi quase toda a manhã.. Acordei com o solinho a bater na cara, tomei o pequeno almoço acompanhada de uma música linda e saltei para o chuveiro! Estive lá o tempo que vem me apeteceu!
Pintei as unhas.
Pintei o cabelo (estava baço e completamente sem vida... Até nisto se nota o meu descuido habitua!) Está tão bonito agora!
Cheiro bem e a minha pele está macia.
Ah.. o jeito que não dava um namorado agora.. mas eu digo!  "Estás linda!"      



outra coisa:
Com tanto vómito provocado ao longo deste tempo todo, o meu sorriso está totalmente diferente por isso andei a pesquisar umas coisas e descobri aqui uma possível solução para os meus dentes voltarem a ficar branquinhos! Vou começar a roer salsa. Não sei se faz bem se não. Solução? Experimentar!
sinto-me: calma

Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

O sapatinho do meu blog



Uma prendinha para o meu blog.. E quem meteu no sapatinho foi a drama_girl e a Cuidando de mim! Obrigado às duas!
Eu ofereço a todos os bloguinhos por onde costumo passar... Estou a ajudar a preparar a ceia de Natal por isso vou ter mesmo que aldrabar as regras do jogo! Mas estão todos prendados!

Só quero desejar um Natal com muita paz, saúde, alegria, cheirinhos pela casa, crianças aos pulos e sorrisos em todos os lábios.
Mesmo que o vosso Natal não seja como idealizamos e vemos nos filmes (o meu não é) aproveitem para estar com a família e as pessoas que amam.

Pai Natal eu gostava que me desses uma prenda muito especial. Não vem embrulhada em  caixas e tem de chegar umas horas antes da ceia de Natal. Eu sei que vou ser diferente das outras pessoas mas não posso esperar pela meia-noite. Queria ter uma noite calma e sem pensar tanto no que vou comer. Gostava de me sentir normal por uma noite Pai Natal.
Não dizem que tu sabes tudo? Então sabes o quanto é importante o que estou a pedir.
Peço também que faças sorrir todos os meninos da rua. Ao passares pelas estrelas faz com que elas brilhem tanto mas tanto que consigam maravilhar essas crianças.
Obrigado Pai Natal

sinto-me: Com uma lágrima no olho
música: Avril Lavigne- Innocence

publicado por o_meu_outro_eu às 18:57
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Domingo, 23 de Dezembro de 2007

Discussão interior

- Lembras-te da última passagem de ano?
- Sim. Foi passada em casa.
- E foi bom não foi??
- Não. Estive sozinha até à meia noite.
- E queres repetir não é?
- Não sei.
- Não gostaste?
- Não. Comi que nem uma louca. Comi o máximo que consegui.
- Então mas isso não é o normal??
- É. Mas naquela noite era diferente.. autorizei-me a comer. Era o último empanturramento do ano! Deixei-me aproveitar. No dia 1 de Janeiro de 2007 tudo iria ser diferente. Tinha de acabar com toda a minha obsecção. Tinha de acabar com todas aquelas paranóias e passar a viver a vida.
- Uau! E estalaste os dedinhos foi??
- Não. Em 2007 continuei...
- Talvez fosse preciso comer mais na noite de passagem de ano.
- Não aguentava!
- Talvez fosse essa a intenção.
- Não aguentar??!
- Talvez.
- Porque dizes isso? Magoas...
- Porque foi mais um ano... que fizeste? Diz-me!
- Fiz muitas coisas.. Vivi momentos importantes! Especiais!
- Perdeste o ano. Perdeste o namorado. Começaste com outro e ele também se cansou de ti. Perdeste amigos. Perdeste o orgulho dos teus pais. O que ganhaste afinal?
- Pára. Eu estou a lutar para ficar boa caramba! Deixa-me conseguir! Dá-me a mão!
- Achas mesmo que vais ser capaz?
- Não sei. Tenta comigo.
- Vamos falhar outra vez.
- Um dia vou-te provar! Um dia vou-te abraçar enquanto dizemos o quanto vale a pena lutar e chorar.
- Não quero ser cruel contigo mas não vejo melhoras.
- Mentira! E quem sabe já disse que era mentira! Não exigas tanto de mim. Deixa-me dar pequenos passinhos de cada vez e festeja comigo esses passos.
Limpa-me as lágrimas e abraça-me!
Vamos fazer as pazes... Só assim conseguimos sair disto.




Abraço-me. Quero-me amar. Quero fazer as pazes entre estas duas vozes que discutem a toda a hora dentro de mim. Não tem de haver uma que fale mais alto. Podem fazer as pazes n?? Não quero estar sempre a pensar em coisas possíveis ou impossíveis, em coisas passadas ou futuras, no que consigo ou não consigo, em probabilidades ou em medos!

sinto-me: a querer funcionar..
música: Pedro Khima- A Esfera

publicado por o_meu_outro_eu às 00:31
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Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Bahhhhhhhh

Psicóloga ontem.
Duas horas enfiada numa sala com três pessoas a "trabalharem" para mim.
Queria fazer o balanço da consulta.. Mas falámos de tantas coisas e cheguei a tantas conclusões que na hora quando ligo o pc para escrever parece que foge tudo.
Sábado de manhã e ainda não fiz praticamente nada. A esfregona e o pano do pó não me conseguem fascinar em nada. Mas a casa está a precisar e é que nem vou ter outra escolha.
Sinto-me tão cansada. Dói-me o corpo todo. Não sinto disposição para fazer nada.. Nem sequer para escrever.

Bahhhhhhhhhhhhh

Sobre a consulta falo depois. Vou pôr a música bem alta e começar as limpezas!
sinto-me:

publicado por o_meu_outro_eu às 11:56
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007

O teu carinho, Mãe

Como foi bom adormecer ao teu lado...
Sentir as tuas mãos a enxugarem as minhas lágrimas;
lágrimas que tentei conter. Tentei mesmo.
Estava escuro mãe.
Estava escuro e tu percebeste que eu estava a chorar.
Tu sentiste que eu não estava bem e abraçaste-me
E ficamos ali em silêncio até eu adormecer.
Como foi bom sentir-me uma criança pequenina
Ali
No calor do teu peito
No aconchego do colo de Mãe




                                                                                                        

Como eu gostava de ser a filha que tanto mereces!
sinto-me: incapaz
música: Sem ar- D'Black
tags: ,

publicado por o_meu_outro_eu às 11:40
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

...


NÃO CAÍ! Apenas tropecei!  


Vou dizer que estou feliz? Não estou. Sinto-me abatida e roubada. Mas sei que isto é uma luta. E quem entra nesta luta tem vitórias e derrotas. Leva com obstáculos e tropeções. Sai com sorrisos e com lágrimas.

Sei que um dia vou abrir este blog e escrever apenas a palavra PAZ. Sei que um dia o vou fazer.
Tenho de acreditar. Desligar a corrente do meu pensamento, abstrair-me de todos os porquês e medos! Imaginar apenas o futuro.

Agarrar-me aos pequenos sonhos que me restam e recuperar os que fui perdendo..
sinto-me:

publicado por o_meu_outro_eu às 14:27
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Sábado, 15 de Dezembro de 2007

Desculpem!!

Almoço (14h30):
2pães de 90g torrados (um com queijo derretido outro com manteiga)
2snacks de bolachas integrai
10chocolates pequenos (uma caixa de 250gramas!!!!)
2bolachas recheadas                            
2canecas de café com açúcar
massa com atum
1 laranja

Não vomitei!!

Isto foi o que comi ontem quando cheguei a casa. A habitual sopinha de legumes feita com tanto carinho pela mãe que a menina já andava a comer à duas semanas foi substituída por tudo isto. Não me perguntem como consegui comer tudo! Como é que o meu estômago aguentou! Não sei mesmo. Mas preferia que não tivesse aguentado!!
Sinto-me abatida. Um nojo mesmo. Sou horrível! Odeio-me!!! Odeio a doença! Odeio-me por me ter deixado cair nela! E odeio-me por não ter forças suficientes para sair!
Andava tão positiva.. Duas semanas sem empanturramento para mim era um orgulho! Já há muito mesmo que não tinha aquele auto-controlo!
Mas, mais uma vez, deitei tudo a perder! Mais uma vez caí.
E o pior, ou melhor não sei bem, é que não vomitei! Estive sozinha durante o tempo de gula, tempo em que engoli tudo sem mastigar nem saborear, engoli como se tivesse os segundos contados para o fazer, como uma criança que não vê comida há meses!
Eu vejo! Eu tenho uma casa, uma família, comida todos os dias! E faço isto... Sinto-me tão envergonhada!
Não consegui expulsar aquela quantidade toda de dentro de mim! O meu pai chegou e eu não podia correr o risco de voltar a ser apanhada a vomitar. Tudo menos isso. Tudo menos a minha mãe chegar à noite cansada do trabalho e ouvir: "A tua filha vomitou!"
Suportei. Mal estar físico mesmo! Sensação que ia explodir.. que o meu estômago não ia digerir aquela porcaria toda.. que ia parar e que eu morria! Ah.. como adorava que tivesse acontecido! Arranho-me para lutar contra o meu corpo. Sabes bem quem vai ganhar estúpida!

Desculpem se depositaram tanta confiança em mim! Se me apoiaram e me disseram que eu ia no bom caminho! Não vou! Sou uma fraca que na primeira hipótese se entrega ao caminho mais fácil.
O que é que eu penso?? Que os meus pais vão andar toda a vida a trabalhar para me pôr a comida na mesa?
Que futuro quero para mim meu Deus?? Como posso um dia ter filhos e educa-los? Eu é que preciso de ser educada! De levar dois pares de estalos!
Não consigo imaginar o meu futuro. Sonhos?? Sim tenho. Mas não luto por eles.
Derrotada. Mais uma vez saí derrotada.
Se volto à luta?? Não sei. Neste momento não sei nada.
Apetece-me fechar os olhos e puff
Desculpem.
sinto-me: no chão
música: comer, doença, vomitar, não vomitar

publicado por o_meu_outro_eu às 11:05
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Quem manda afinal??

Dia todo em casa. Resistir resistir e resistir! Tenho que ser mais forte que a doença! Mais forte que esta vontade de me entupir de comida para me sentir preenchida por dentro, quente, acarinhada! Há outras coisas que me fazem sentir momentaneamente bem além de bolo de chocolate, bolachas, fruta, cereais, pão e mais pão! Se começar agora não paro mais! Não quero destruir o meu dia!
Faz hoje DUAS SEMANAS que não como que nem uma louca para depois vomitar! (o vómito de quarta-feira não me afectou muito. Analisei-o em conjunto com a psicóloga e perdoei o meu próprio corpo. Vomitei sem me empanturrar e não o vou voltar a fazer!). Duas semanas de luta, de controlo! Pequeno almoço, almoço, lanche e jantar! Fiz todas as refeições e não exagerei em nenhuma. Não precisei de dias de jejum para compensar dias de empanturramento.
"estás a ir num bom caminho" dizem vocês... "estou a ver o teu esforço" diz a psicóloga...
"" a minha mãe... o sorriso que faz ao ver-me sair de casa, ao ver-me alegre e conversar novamente sobre o meu dia, ao ter alguma coisa (mesmo que ás vezes pouca) para contar à noite à lareira... AMO-TE tanto mãe!

Não quero desiludir ninguém. Tenho tanto medo de cair. Medo de não conseguir aguentar mais. Ando-me a sentir tão pressionada! Mas sou eu que faço essa pressão! Eu e o meu receio.
Hoje, ao fim de tomar o pequeno almoço (estou sozinha em casa e ainda complica mais), passei uns longos minutos a olhar o bolo de chocolate. Aquele aspecto húmido, aquele cheirinho... Imaginei o sabor, imaginei cada garfada. Toquei-lhe com os dedos.. Está tão fofinho. A minha mãe fez com tanto carinho que não posso comer para deitar na sanita. Não o posso fazer!
Não comi porque sabia que se o fizesse não parava mais. Estou em casa sozinha! Podia vomitar tudo. Mas não quero! Não e não!

Eu sou a dona do meu corpo e da minha mente! Ninguém manda mais em mim que eu própria! Ninguém! Nem esta louca vontade de me sentir quente por dentro com toneladas de comida. Odeio-te bulimia! Odeio-te e vais desaparecer!
sinto-me: com medo de não ser capaz
música: publicidade de natal na televisão
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publicado por o_meu_outro_eu às 12:13
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

nervosismo

Estou-me a sentir sufocada, nervosa, irritada. Parece que existe um vazio dentro de mim, um buraco no meu peito, é tão estranho!
Apetece-me gritar. Deitar cá para fora esta pressão toda! Aiiiiiiiiiiiiii
Faz amanhã uma semana que não tenho crises de empaturramento, que não provoco o vómito. A minha alimentação tem sido controlada à milésima. Tenho comido muito pouco é verdade, mas tenho tido um controlo em mim que me faz sentir um bocadinho "dona do meu corpo": Só tenho comido hidratos de carbono ao pequeno almoço (meio pão), ao almoço como sempre peixe ou carne com legumes e ao jantar uma sopa.  Ao lanche um copo de leite e houve dias que não lanchei. Por incrível que pareça estou sem fome e hoje apenas tomei o pequeno almoço. (e já são horas de jantar!)
É nestas alturas que percebo que, em certas alturas, fome é psicológica!
Mas sei bem porque não tenho fome hoje. Sei muito bem o porquê de me sentir tão angustiada e stressada. Amanhã é um dia muito importante. Muito decisivo. Vou fazer algo (não posso dizer o que é porque quero manter este blog o mais anónimo possível) em que preciso de estar concentrada, em que preciso de dar muito de mim, acreditar que sou capaz e conseguir manter a minha cabeça longe de tudo por uns minutos.
É muito importante mesmo que corra bem. Importante para recuperar o orgulho dos meus pais na filha que têm; para conseguir sair no fim de semana e ter algo que festejar; para passar a ter mais confiança em mim; para sentir que consigo fazer alguma coisa e que não sou tão burra como aquilo que por vezes sinto ser.

Mesmo não sabendo o que é fiquem a torcer por mim e por volta das duas horas da tarde, se se lembrarem, fechem os olhos por dois segundos e transmitam energias para uma tola que nem sequer conhecem.

Já não me lembrava de estar tão nervosa como hoje. Tenho tanto medo de não conseguir.
Deus esteja comigo.
sinto-me: com medo
música: silêncio
tags: ,

Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Arrumações

Apática.
É como me sinto hoje... indiferente com tudo e com todos. Comigo mesma inclusive.

Sábado à noite: banho de uma hora, água bem quente, música ligada no quarto no máximo para se conseguir ouvir na casa de banho, lingerie escolhida a dedo, creme de corpo, perfume, maquilhagem, salto alto, chaves, dinheiro e pastilha elástica.
E agora parava de escrever porque ia para uma bela noite de borga!
Mas as minhas noites agora são diferentes.
Não tenho qualquer vontade de sair e dançar até ficar com dores nos pés, de conhecer pessoas novas, de me divertir... NÃO CONSIGO! Sair para mim, já significou bem estar, agora não passa de uma carga de perguntas sem resposta. O que levo vestido?? Nada me serve! e se encontro muita gente conhecida?? Vai notar toda a gente que engordei! Vou-me sentir mal porque já não tenho aquele sucesso com os rapazes como tinha! Não vou conseguir saltar para a pista de dança como antes! Não vou poder pular porque a última coisa que quero é chamar a atenção dos outros. Fico em CASA.
Apetece-me levar um estalo neste exacto momento. Verdade. Eu quando ando na rua não vejo se os outros engordaram ou não (ás vezes reparo mas apenas com intenção de me comparar admito)! Porque é que eu acho que toda a gente olha para mim? Para o meu corpo? Podem nem ligar certo? Posso-lhe ser completamente indiferente!
"Estás a fantasiar" frase da psicóloga que ficou gravada na minha cabeça. Talvez seja verdade...

O sábado é o dia por excelência de empanturramento. Mas hoje não o foi.
Hoje, pelo contrário, comi bem pouquinho.
Consegui resistir a montes de coisas boas. Não comi aquelas bolachas com cobertura de chocolate que a minha mãe comprou para o lanche (nem sequer lanchei), nem os bombons de chocolate agora a noite ao quentinho da lareira.
Resisti caramba! não devia estar orgulhosa??
Não estou. Resisti hoje mas sei que não resisto depois porque a vontade fica sempre a acumular! Talvez se tivesse comido um bombom pequenino hoje, evitasse um ataque de gula amanhã ou depois.
Talvez sim. Talvez não. Farta que a minha vida ande em torno de tantos talvez...

Outra coisa. Será normal eu começar a perder o interesse por mim?? Pelo meu corpo? Pelo meu aspecto?
É o que está a acontecer. Já não me lembro de estar horas na banheira. Tomo um duche em menos de 10minutos porque o simples facto de estar sempre a olhar para o meu corpo enoja-me! Já não demoro uns 5minutos a passar creme e por vezes nem sequer o faço. Em casa estou sempre de pijama, também porque é confortável mas principalmente porque não vejo os contornos do meu corpo. A sacola da maquilhagem está arrumada na gaveta. Não sei de que cor é a lingerie que tenho vestida. sinto-me como mulher casada em vias de se divorciar do marido porque deixou de causar interesse nele.
Não sei se é normal ou não. Se esta relação de amor/ódio com a comida me fez centrar tanto nela que me abandono a mim pouco a pouco. Não sei nada.

Quero voltar a cuidar de mim.



Os chocolates deviam ter as calorias dos brócolos e os brócolos terem as calorias dos chocolates..  (parvoíce)
sinto-me: não sei
tags:

publicado por o_meu_outro_eu às 21:06
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

Saudade...

        Saudade de jogar ao elástico no recreio;
        de correr atrás dos meninos que nos puxavam os cabelos;
        de beber o leite com chocolate ao despique;
        de chegar à sala toda suada de tanto correr.
        Saudade do copo de leite à noite;
        do miminho de bons sonhos;  
        do carinho de mãe orgulhosa;
        do "parabéns" do professor;
        de viver de mãos dadas com a imaginação;
        de sorrir ao acordar e ao deitar
        de ser feliz.



Não quero voltar a ser criança. Apenas quero pensar como elas. Pensar que o mundo é um sítio bonito cheio de pessoas bonitas, de pássaros e de cores. E quando algo corre mal não há o stress e as depressões dos adultos... Admito apenas que fiz batota e continuo a brincar.

sinto-me: a desejar a inocência

publicado por o_meu_outro_eu às 13:35
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

degrau a degrau...




A alegria adquire-se. É uma atitude de coragem. Ser alegre não é fácil, é um acto de vontade.


(Gaston Courtois)

 

 

 

Uma frase que li e gostei.

Estou a precisar mesmo de escrever, de arrumar todo nas prateleiras e ter a sensação de controlo em mim.

Psicóloga hoje.

Acho que me posso atrever a dizer que correu bem. Ou pelo menos a dizer que não correu mal.

As últimas consultas tinham sido desmarcadas por mim e acho que consegui dar a  entender que me queria afastar, que precisava de um tempo para perceber o que queria eu de mim e desta situação toda.

Tempo que deu para perceber, ou melhor, para reforçar a ideia que sozinha não consigo.

Sozinha ninguém consegue.

E fui lá hoje.

Voltei-me a levantar. aos pouquinhos mas levantei.

E estou aqui de pé! Se volto a cair? ah é muito provável mas rezo para que o tempo de pé seja sempre um pouquinho maior que o tempo caída.

Para a semana estou lá outra vez e agora vou obrigar-me a fazer o trabalho de casa!

Chorei tanto. Mas acho que pela primeira vez falei, mesmo entre soluços, e senti que aquele espaço era meu. Que aquelas pessoas só me queriam ajudar.

Pedi ajuda não pedi? Então tenho de confiar nela e saber aproveitá-la.

Deus me ajude nesta luta.

Um beijo para todos os que leêm e sentem.

sinto-me: bem

Sábado, 17 de Novembro de 2007

...



Hoje vou ser tão fútil, tão básica como qualquer outro blog proana e promia que tenham lido por ai!
Viram a imagem? Quem me dera ser como ela. Admito. Gostava de ser assim... magra... Sentir a roupa leve e solta no meu corpo em vez de sentir o casaco a sufocar.
Engordei! Novamente!
Ultimamente não tenho controlo na comida. 
Os poucos amigos que sabem, acham que eu ando melhor e com uma cara mais saudável do que no ano passado.
Para a minha mãe eu ando muito melhor porque me sento todos os dias à mesa e como sem problemas.
E não vomito.
E não choro quando está gente em casa.
E eu? ando melhor?
Não.
Eu cada vez mais odeio o meu corpo. Sinto falta da roupa me estar larga, de ter anemia, de me sentir fraquinha, de sentir frio, de ter as mãos sempre geladas e roxas, de olharem para mim como uma desnutrida e dos meus 45quilos. não era esquelética mas era mais magra que agora.
apetece-me esbofetear-me.
como é que é póssivel??
Tinha 45quilos e queria emagrecer a força toda. e comecei com isto. e comecei a engordar.
será que não percebes que o teu corpo se ressente?? que tanto tempo de privação e dias inteiros sem comida vêm sempre seguidos de dias de empanturramento??
Estúpida.
Neste momento desejo ter anorexia.
É verdade.
Pelo menos estava magra.
A bulimia, o controlo da minha mãe para eu não vomitar, as crises de empanturramento e Depois as horas seguidas sem comer para tentar compensar deram nisto.
sou uma gorda que quer ser anoréctica.
Porque sei que magra também sofria. Mas pelo menos estava magra e era visível o meu sofrimento.

Tenho consulta sexta feira e mais uma vez apetece-me faltar. há meninas esqueléticas, a morrer doentes e que merecem mais o tempo de consulta do que uma gorda como eu que apenas se remete ao comodismo da comida e se deixa vencer.
Sou uma louca ou uma dependente da comida?? Uma louca.
Falo de comida como se falasse de heroína. nada disto faz sentido.
Sinto que parei no tempo.
Sinto que me estou a destruir e pior, a assistir à minha derrota.


Peço desculpa a quem lê.
sinto-me: farta de fingir que melhoro

publicado por o_meu_outro_eu às 10:52
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Sexta-feira, 9 de Novembro de 2007

desprezo pela fragilidade humana

Acho que não há melhor forma para descrever como me sinto hoje... apenas mais uma...

"Sou vil, sou reles, como toda a gente,

Não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem.

 


Como todos não creio no que creio.
Talvez possa morrer por esse ideal.
Mas, enquanto não morro, falo e leio.

Justificar-me? Sou quem todos são...
Modificar-me? Para meu igual?...
- Acaba lá com isso, ó coração!"


 

                                            Alváro de Campos                       


 


 

sinto-me: básica

publicado por o_meu_outro_eu às 15:06
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Segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

grrrrrrrrrrrrrrr

aiiiiiiiiiiiiii
isto é tudo tão ridículo! tão básico! tão fútil!
eu não quero ser esta pessoa! eu não quero ser esta miúda mimada preocupada com a quantidade de comida que ingere!
eu quero poder ir a festas de aniversários e não ter medo de comer a primeira fatia de bolo porque o meu corpo vai pedir mais e mais a seguir! eu quero poder ir jantar a casa de familiares e não ter vergonha de repetir! eu quero roubar batatas fritas da travessa enquanto a minha mãe cozinha sem pensar em quantas vou comer à refeição! eu quero provar vários doces sem comer três e quatro taças deles! eu quero ser normal!! custa assim tanto?? custa.
tive a ler blogs de outras miúdas que sofrem de bulimia e anorexia e cheguei a tantas conclusões. algumas delas preferia nem chegar! é incrível como há miúdas que veneram uma doença e pedem para aprender a vomitar!
dá-me raiva, nojo, sinto-me frustada!
eu não gosto de dietas. eu não gosto de pensar a toda a hora no que comi e no que vou comer. eu não gosto de entrar na cozinha para lanchar e ter medo de não conseguir parar de comer! eu não gosto de gente esquelética que desmaia a toda a hora porque fazem aquilo a que chamam No Food! isso é outra coisa que me irrita! porque não dizem apenas NÃO COMER??? usam vocabulário de anorécticas quando por vezes são apenas raparigas gordas que querem dicas para emagrecer!! e depois terminam os posts com "e as vossas dietas? têm ideias para mim??" e "beijinhos e ossinhos"

os meus olhos expelem raiva... sinto o meu coração bater na cabeça... tenho pena de mim! pena já é um sentimento horrível mas quando esse sentimento recaí sobre nós próprios...
nada disto faz sentido!
sinto-me inútil todos os dias.. sinto que apenas existo por existir!
se desaparecesse agora ninguém ia precisar de mim amanhã... nem na próxima semana... a vida continuava!
era apenas menos um aluno na chamada da aula.. era apenas menos uma pessoa no autocarro... menos uma que enchia a sala de espera da psiquiatria... menos uma sentada na pastelaria a olhar as vitrines... menos uma a chorar no vestiário da loja de roupa... era apenas menos uma pessoa cá em casa.. era apenas menos eu! não tenho ninguém a depender de mim para viver.. não tenho ninguém de que precise cuidar... os projectos que um dia tive para o futuro são destruídos dia após dia.. para que sirvo afinal??? para que isto tudo?? para que esta farsa??


gostava de ter coragem...

um obrigado para quem conseguiu ler tanto disparate até ao fim
sinto-me: a mais

Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

atitude!!

estou farta de perder tempo... cansada de não aproveitar aqueles que podiam ser os melhores anos da minha vida...
podia ser tudo tão diferente..

hoje fiz algo que espero não me arrepender...

a caixinha de cartão.. que eu já falei... tudo o que era cartas a falar sobre bulimia, comida, dietas, pensamentos negativos... todos aqueles papéis amassados que tinha começado a reler vezes sem conta... queimei-os!!!

tive a tarde toda sozinha em casa e não cometi os meus exageros...

lanchei... torradinhas com sumo natural...

e queimei aquelas folhas tudo! não sei se me vou arrepender... as vezes gostava de ler alguns dos textos... mas para quê?? acabava sempre a chorar... e não há melhor forma de se afastar do passado que apagar as memórias que temos...

agora a caixinha apenas tem fotos e coisas importantes...

senti-me tão bem a ver arder aqueles papéis todos...




                  


hoje em vez de meter imagens super melancólicas até meti as coisinhas boas que me deixei comer... o que interessa é que foi pouca quantidade...
sinto-me: confiante
música: big girls don't cry

publicado por o_meu_outro_eu às 18:54
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Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007

caixinha de cartão (2)

Tenho a desilusão expressa na cara... acabei de vomitar mais uma vez... sinto a garganta a arder... as minhas mãos estão geladas e roxas... tive a ler mais folhas amassadas da caixa no armário...
é incrível... esta foi escrita quase a dois anos e podia ter sido escrita hoje que dizia praticamente as mesmas coisas... o tempo continua a passar e eu continuo a não ter controlo...

Dia 28/11/05
 "o que é que eu tenho??? apetece-me gritar, arranhar-me, berrar, deitar esta raiva e esta energia toda que tenho acumulada para fora... mas em vez disso, as lágrimas correm pela minha cara inchada de tanto chorar e de tanto comer...
estou-me a sentir tão mal... mal comigo própria, porque podemos fugir a todo menos a nós mesmos!
porque é que eu não me emendo?? porque é que continuo a meter comer e mais comer para dentro de mim e só depois, quando me sinto quase a explodir, rebento de lágrimas e pensamentos clandestinos que até agora não habitavam a minha cabeça??
FRACA!! É isso que eu sou! não consigo me enfrentar e mudar de uma vez por todas, não sei porquê mas a verdade é que não sou capaz!
e depois, é só a mim que me prejudico... é uma revolta, uma luta contra mim própria e contra o meu corpo...
tenho medo de cair nalguma doença, de ficar com alguma depressão e além de me desiludir a mim mesma, que já estou, desiludir os que me rodeiam e que amo, os meus pais, os meus amigos...
é complicado.. mas é só para mim! isto é uma estupidez, uma criancice.. uma vergonha!
não tenho sequer coragem de contar isto a alguém, mesmo que fosse importante desabafar, é uma coisa tão estúpida... ninguém luta contra si próprio! ninguém... menos eu
agora acho que estou mais calma. parece que me fez bem escrever... faz sempre

acho que não é calma o sentimento que se adequa a mim é mais desilusão, sinto-me abatida com vontade de desaparecer.
só queria amanhã acordar com uma dor qualquer mesmo forte, que não me deixasse ir à escola...
podia ser qualquer merda! mas que doesse a sério!
neste momento a única coisa que me apetece é ver-me sofrer! mas fisicamente, uma dor real, uma dor palpável...
dói-me o interior, o meu ego, o meu espírito... mas essa dor ninguém vê! essa dor só dá aos fracos, aqueles que não t~em amor próprio!
apetece-me sofrer... queria morrer por um dia!!"

publicado por o_meu_outro_eu às 16:13
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Domingo, 28 de Outubro de 2007

caixinha de cartão (1)

nunca fui de escrever diário, mas nos últimos anos realmente senti a necessidade de escrever... porque era realmente a única forma de aliviar a alma...
tudo o que escrevia guardava na caixa de cartão dentro do guarda-fatos, junto com fotos, umas flores de papel que alguém ofereceu, uma pulseirinha de um menino que já foi especial( ) e mais umas quantas tralhas que gosto de guardar.
tantas folhas amassadas...
esta foi antes de começar a ser seguida pelo médico...

Dia 3 de Julho de 2006...                                     


"Não aguento mais!!
não quero ter bulimia mas tenho todos os sintomas... dia após dia prometo que vou mudar, encho-me de coragem e tento lutar mas parece que de repente todas as minhas forças me abandonam e apenas me resta as quantidades absurdas de comida.
tenho 17 anos e a sensação que de dia para dia acabo com a minha vida... afasto-me de todas as pessoas porque não suporto a ideia de mostrar o meu corpo, de mostrar a minha maior fraqueza... ninguém sabe disto! até porque tenho vergonha de mim própria
não consigo sorrir nem pensar em me divertir... odeio o meu corpo... odeio-me... queria tanto poder desaparecer... ir para bem longe...
hoje a minha mãe apanhou-me a vomitar... mais uma vez... eu não quero estar doente mas não consigo parar com esta mania de comer que nem uma doida e depois fechar-me na casa de banho.
só queria ter uma doença verdadeira, algo que toda a gente pudesse ver.. não esta merda que só eu sinto... quero morrer!!! sinto que toda a minha família me abandonou e os meus amigos... afastam-se porque eu também me afasto... será que um dia isto vai acabar?? será que um dia posso ser feliz como uma jovem normal??
estou cansada... cansada de me desiludir a mim mesma...
meu Deus ajude-me! eu não consigo... não consigo viver mais nesta merda.. neste inferno.. quero morrer... Meu Deus deixe-me morrer por uns minutos... uns minutos sem pensar, sem chorar... sem viver
eu detesto-me! fraca! "

....

e é assim...
sinceramente acho que ainda penso exactamente da mesma maneira.. ainda me considero uma fraca...

fechei a caixa com os olhos secos... completamente...

não chorei nem uma lágrima hoje... relembrei tudo e o único sentimento que tive foi pena!

publicado por o_meu_outro_eu às 21:09
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Sábado, 27 de Outubro de 2007

3 anos para o lixo!!!!

décimo ano passou... décimo primeiro passou... décimo segundo passou...
três anos... três anos em que diariamente lutei contra o meu peso...
não me sentia bem com o que via em frente ao espelho... sentia-me uma bola, nojenta, que ninguém ia querer para amiga... namorada.. irmã... filha... tudo!
três anos de falhas...
ia para a escola diariamente mas passava o dia inteiro sem comer ou apenas comia uma maça ou um iogurte ao almoço... dizia que não tinha muita fome... que o meu organismo era mesmo assim... e era.. eu obrigava-o a ser... e na verdade não tinha fome durante todo o dia... sentia vergonha de estar gorda e achava que não merecia comer, ou pelo menos comer a frente das outras pessoas...
tinha medo que me julgassem por estar gorda e continuar a comer normalmente... não conseguia comer um pão e olhar para a minha enorme barriga ao mesmo tempo... tinha medo que tal como eu os outros pensassem assim... então a solução era mesmo não comer.. e andava feliz durante todo o dia...
chegava a casa.. tinha fome... fome verdadeira.. doía-me o estômago de estar todo o dia sem comer... então comia.. qual era o problema?? já não estava ali ninguém.. podia me empanturrar de comida que ninguém me ia apontar o dedo que estava a comer de mais ou que estava gorda e não devia comer isto ou aquilo... ninguém ia olhar para o nojo que era o meu corpo... ali e naquele momento só existia eu, a cozinha e o meu mundo... a comida... o pão.. as bolachas,... chocolates.. biscoitos... massa com queijo derretido... cereais do meu irmão... fruta e mais fruta...
sentia-me feliz... via televisão e comia como se não houvesse amanhã... perfeito...
o pior era depois...
trancava-me na casa de banho... ligava a torneira da agua no máximo para fazer bastante barulho... metia os dedos à boca e expulsava de dentro de mim tudo o que me tinha dado prazer...
que bom... ver toda aquela quaintidade de comida na sanita e o meu estomago limpo... depois era lavar os dentes.. lavar a cara e ir jantar...
todas as semanas isto acontecia... comecei a engordar verdadeiramente... na balança... nos números.. e cheguei aos 50kg rapidinho...
todas as semanas dizia o mesmo... segunda feira acabou! não faço mais isto... não quero ficar doente... chorava...

isto durante pai dois anos...

no décimo segundo as coisas pioraram...

sinto-me: a relembrar...

publicado por o_meu_outro_eu às 22:12
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bulimia.... aquilo que não pedi para ter!


    Espero que começar seja mesmo a parte mais difícil porque já apaguei a primeira frase vezes sem conta…


    Gostava de me apresentar como uma rapariga normal... que cria um blog para escrever coisas bonitas, falar de namoricos e fazer declarações de amizade... mas não é isso que vou fazer... não por não querer mas sim porque neste momento a minha vida resume-se a pouco...
Neste momento a minha vida resume-se apenas a algo que ainda estou a tentar admitir, a tentar acreditar que me deixei cair... que não fui tão forte como aquilo que pensava ser...




    Chama-se bulimia e é a minha pior inimiga... É ela que me destrói dia após dia... é ela que me mata aos pouquinhos... e sou eu que perco as forças para lutar... sou eu que desisto e chego a conclusão que não sou capaz... E é ela a responsável por eu ter criado este blog... porque preciso que pôr cá para fora tudo o que sinto, porque preciso de sentir que existem pessoas na mesma situação que eu...

    Compreendo quem ache ridículo que miúdas lutem contra o seu próprio corpo... que a sua vida se resuma a isso... compreendo porque eu própria acho ridículo.. eu própria tenho vergonha do que faço e do que sou...


 

    Sinceramente acho que já não vou a tempo de mudar... acho que já se instalou na minha rotina... já faz parte de mim... e doí tanto...


 




                            


                                                      

 

 

sinto-me: ranhosa

.Pensamentos, desabafos, raiva, lágrimas... A obsecção pelo corpo! Algo que só se compreende realmente quando se vive na pele... A procura pelo amor próprio perdido começa aqui!! :)


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